A Secretaria Municipal da Saúde pretende, até o final do ano, inaugurar mais dois postos do Programa Saúde da Família (PSF), nos bairros Ferradura Mirim e Parque Real, que irão se juntar à unidade da Pousada da Esperança I, inaugurada em julho de 2003 e que atende 1.110 famílias cadastradas no bairro.
O secretário municipal da Saúde, Hanna Saab, afirma que a ampliação do PSF faz parte de uma estratégia discutida em conjunto com o Conselho Municipal de Saúde. “Dentro do nosso cronograma, temos a expectativa de colocar essas duas unidades em funcionamento o mais rápido possível”, revela.
O programa tem como objetivo melhorar o atendimento público na área de saúde. Agentes comunitários percorrem as residências das famílias cadastradas e encaminham os pacientes com suspeita de doenças para se consultar com o médico da unidade. Nos casos em que a pessoa está debilitada, o profissional é quem vai até a casa dela.
Para Saab, a grande vantagem do PSF é o contato próximo entre agentes, médico, enfermeiros e pacientes. “A pessoa é sempre atendida pelos mesmos profissionais”, diz.
Desde que foi implantado na Pousada da Esperança I, o programa tem registrado, em média, 450 consultas mensais. “Além disso, nossos seis agentes comunitários percorrem as residências do bairro uma vez por mês”, relata a enfermeira Paula Moraes Noronha Argenta.
Para ela, esse contato é fundamental. “Já sabemos que, às vezes, o problema do paciente não é de saúde, mas do pai que é alcoólatra ou do marido que está preso”, comenta.
O médico de família Marco Aurélio Viegas concorda. “O agente faz a ponte entre a unidade e a comunidade. Muitas informações que eu não consigo através do paciente, ele me passa. A maioria delas, inclusive, são muito importantes do ponto de vista social. Com isso, a população tem um atendimento diferenciado, não apenas no sentido individual, mas familiar. Você vê um paciente como um todo, dentro de um contexto”, analisa.
Resistência
Argenta conta que, no início, muitos moradores visitados demonstraram certa resistência ao programa. “Ele tem uma proposta diferente e não é como um posto de saúde, que não atende apenas quem mora no bairro. As pessoas tinham o costume de fazer fila e querer senha, e nós não trabalhamos assim. Fazemos agendamento de consulta e temos um médico generalista que atende a toda a família, desde o idoso até a criança e a gestante”, relata.
Segundo a enfermeira, boa parte dos moradores não tinha noção sobre o esquema de funcionamento da unidade. “Eles achavam que o médico iria na casa de todo mundo, mas explicamos que isso ocorre nos casos em que o paciente está acamado e tem dificuldades de locomoção”, diz.
Ela conta que a situação vem mudando nos últimos meses, mas ainda há pacientes com dificuldades de adaptação ao PSF. “Registramos duplicidade de consulta. O posto da Vila São Paulo é muito próximo e algumas vezes eles passam por aqui e por lá também, mas isso é um costume que vamos mudando aos poucos”, analisa.
A dona-de-casa Cleonice Catori da Silva Santos, que mora há um ano na Pousada da Esperança I, elogia o PSF. “Antes, eu tinha que ir até a unidade da Vila São Paulo, mas depois que ele passou a funcionar, melhorou bastante. Desde o início, achei a visita do agente comunitário interessante e ele já se tornou um amigo”, declara.