Como o Chile tem o comprimento do Brasil (de Norte a Sul), mas é estreito na horizontal (de Leste a Oeste a distância é como a que separa São Paulo do Rio), as paisagens vão se sucedendo e se modificando.
Entre o solo seco, pedregoso e poeirento que faz com que a gente se sinta como se estivesse pisando na lua, a vida surge em formato de pássaros e lhamas que conseguem sobreviver certamente por obra de Deus, alimentando-se de plantas rasteiras e cactus adaptados ao ambiente hostil.
A maior parte da população do Norte é pobre, embora a região concentre extensas áreas de exploração de cobre. O Chile é o responsável por quase toda a produção do minério consumida no mundo. Nessa área seca repleta de vilas de mineradores, também vivem algumas missionárias brasileiras que promovem um louvável trabalho junto às comunidades chilenas.
Uma irmã de Curitiba da Congregação do Sagrado Coração de Jesus me contou que por conta das extensas e desgastantes jornadas de trabalho dos mineradores, lá é grande a taxa de desagregação familiar. Para ajudar as famílias a se reencontrarem, o Brasil tem enviado esse tipo de ajuda à cidades como Antofagasta, distante cerca de 600 quilômetros de Santiago do Chile.
O Atacama está situado numa área de 200 mil quilômetros quadrados com altitudes que podem ser superiores a 4 mil metros acima do nível do mar. Um lugar que no dialeto das tribos andinas queria dizer “o fim do mundo”.
Sua história vem de dez mil anos, quando caçadores perambulavam pela região tentanto encontrar animais para comer. Devido ao calor infernal do dia, o frio intenso da noite e o ar rarefeito, não resistiam por muito tempo e retornavam ao litoral.
O lugar só se desenvolveu e passou a ter ocupação humana quando os primeiros colonos recorreram a criação de rebanhos de lhamas e ao estoque de carne.
Hoje, de “fim do mundo”, o Atacama virou “a porta do paraíso”, por conta da construção, há cerca de uma década, do Hotel Larache, do grupo “explora”, que tornou a viagem a esse pequeno pedaço da lua na terra, prazeroso.