Pesca & Lazer

História de Pescador: Minha 1ª grande pescaria


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“Sempre fui amante de uma boa pescaria, mas nunca tinha ido pescar no sonhado Mato Grosso, as minhas pescarias eram nos arredores de Lençóis Paulista e sonhava pescar um peixe grande, pesando mais de 500 gramas. Um belo dia veio a surpresa. O amigo Toninho Egueiro, proprietário de um dos bares mais conhecido de Lençóis, convidou eu e Chicão Funileiro para fazer parte da turma de pesca deles, foi uma grande surpresa e até hoje pagamos por mês a próxima pescaria.

Saímos por volta das 3h, antes tivéssemos saídos no dia anterior, pois não consegui dormir de tão agitado que estava. Nosso destino era Aquidauana, íamos passar lá e acertar os restos das compras e a documentação para pesca. Fomos para Miranda no pesqueiro do seu Pedro, vizinho do Rancho Monte Castelo, era época da seca, a viagem foi divertida e ao mesmo tempo triste, pois foi o ano que não choveu e era comum ver a pastagem seca, rios sem água e uma grande quantidade de bois mortos, magros, alguns resistindo à fome, algum não conseguia chegar às poças d’água criadas por alguns fazendeiros na tentativa de salvar o gado.

Enfim chegamos, nosso grande quarto era a carroceria do F4000, o banheiro foi improvisado com um pequeno quadrado no mato, a água do banho era puxada por uma bomba sapo movida a gasolina para o banheiro improvisado. A água para beber e cozinhar nós levamos, enfim, um belo programa de índio. Descarregamos o caminhão, montamos acampamento, enquanto isso Pererinha, o cozinheiro, fazia a bóia. Assim que acabou nossa tarefa, saímos para conhecer o tão sonhado rio.

Ao chegar na barranca do rio, fui bem recebido por alguns pescadores de Marília que foram logo me oferecendo um saco de peixe bem acima da medida, eles estavam de mala pronta, acharam um cardume de pacu e iam ficar ali à tarde e a suas geladeiras estavam lotadas, não tinha mais lugar. Peguei aquele saco pesado e cheio e ao chegar ao acampamento, fui surpreendido com o gerente geral Valdevino como é carinhosamente chamado por ser experiente e dono de todas as 'traias'. Ele, em tom alto e sério, falou assim comigo.

- Ô João Américo, você não deveria ter aceito esses peixes, pois se está pegando tanto peixe bom, esses daí vão ocupar o lugar deles e além do mais o gelo é pouco para oito dias e se eles deram é porque tem melhor. Marinheiro de primeira viagem, nem bem cheguei ao pesqueiro e já levei uma fumada, é chato mas aceitei, pois eu deveria ter consultado eles.

Estávamos cansado, pois praticamente eram dois dias de viagem, começamos a comer e beber e deixamos a pesca para o dia seguinte, naquela noite era só alegria, violão, uma boa cantoria e uma certeza que peixe era só uma questão de ir buscar.

Eu tinha levado uma 'cama tatu' e preferi dormir fora da carroceria do caminhão. Na madrugada acordei com gritos, quanto levantei, deparei com um grande vendaval, a lona que cobria o caminhão estava praticamente arrancada, panelas, cadeiras, colchões, roupas de camas tudo jogado ao chão. Nós tivemos que reforçar a lona e ficamos cada um numa ponta da lona até amenizar a ventania e reparar os estragos.

Choveu durante quatro dias sem parar, alguns pescadores que ali estavam eram rebocados para irem embora, o rio encheu que praticamente dobrou seu volume d’água, era comum ver animais mortos como boi, vacas e cavalos, árvores, troncos e grande quantidade de cinzas das enormes queimadas decorrente da seca serem levados rio abaixo.

Ninguém conseguiu pegar um só peixe, as desculpas eram muitas como: 'vai melhorar quando o rio baixar', 'o pacu estava roncando', 'os peixes estão limpando o bucho', 'o rio ainda estava turvo', e peixe que é bom nada. Ficamos mais dois dias e resolvemos voltar.

Nos quatro dias de chuva intensa, fazíamos da carroceria um palco. Toninho com a minha mala velha fingia tocar sanfona, eu com violão batia nas cordas, o farolete amarrado no teto era o microfone, na platéia, os nossos amigos e alguns pescadores que apareciam ali para participar da festa. Fomos chamados de João Paulo e Daniel, pois sou moreno e Toninho branco.

Conclusão: os peixes que comemos e repartimos eram os que ganhei e o grande herói sem pescar um peixe fui eu.”

João Américo Oliveira Antonio é de Lençóis Paulista, pescador e contador de histórias.

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