São Paulo - A crise do Brasil na Copa Davis parece não ter fim. Apesar da decisão do presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Nelson Nastás, de convocar eleições para 15 de maio e dar carta branca aos jogadores para escolha do novo treinador, a confusão ainda não está encerrada. A iniciativa não comoveu os tenistas e nenhum deles ainda voltou atrás no boicote para o confronto com o Paraguai, de 9 a 11 de abril.
Gustavo Kuerten anunciou ontem que vai manter sua posição, pois acredita que não aconteceu nada de novo - ele exige a saída do dirigente para retornar à equipe. O tenista já está em Miami, onde, na próxima semana, disputa o segundo torneio do Masters Series na temporada norte-americana de quadras rápidas.
“Decidi manter minha posição, pois não houve qualquer mudança. Quero, agora, manter minha concentração no circuito e espero fazer uma boa campanha em Miami”, limitou-se a dizer Guga.
Outro motivo para que Guga não participe da Davis pode estar ligado ao receio de que Nelson Nastás atue nos bastidores para eleger, na votação de 15 de maio, alguém que represente a continuidade de seu trabalho.
Enquanto isso, os demais integrantes da equipe ainda não se manifestaram sobre os últimos capítulos da crise. O único que, além de Guga, disputará o Masters Series de Miami, é Flávio Saretta. Já André Sá e Ricardo Mello estão no México, onde participam do challenger da Cidade do México.
A CBT confirmou ontem que só participarão das eleições as federações estaduais que tiverem cumprido com as obrigações descritas no estatuto da entidade.
Segundo o vice-presidente jurídico da CBT, Antônio Luque, as federações precisam estar com seu calendário eleitoral em dia, não ter débitos com a Confederação Brasileira e provar que está em atividade.
Luque disse que se a eleição fosse realizada ontem cerca de seis federações estariam em situação irregular. “Só saberemos o número de federações irregulares nos dias que antecedem a eleição”, disse Luque.
Ontem, Nastás preocupou-se em formalizar sua decisão de antecipar eleições, ao remeter cópias, registradas em cartório, de sua promessa de não concorrer a reeleição, já que o grupo de opositores dizia não acreditar na sua saída.
A postura da oposição, no entanto, não é esperar. Por isso, ainda tenta destituir o atual presidente, argumentando que esta seria a única forma de acabar com o boicote dos jogadores.
Por outro lado, os organizadores do confronto com o Paraguai, a Octagon Koch Tavares, tem sofrido as conseqüências dessa confusão. Afinal, a empresa pagou caro por um evento que teria Guga em quadra. Além disso, toda estrutura para abrigar o confronto está montada na Costa do Sauípe, sem ainda saber se os jogos serão mesmo na Bahia.
O Brasil tem de anunciar à Federação Internacional de Tênis (ITF) os nomes dos jogadores que enfrentarão o Paraguai e o local dos jogos até 30 de março, dez dias antes do início do duelo.