O nematóide, uma praga de solo que ataca a raiz do pimentão e outras hortaliças, levando alguns até a morte, é um problema que atinge 90% da produção regional, segundo a associação Produtores Associados de Reginópolis e Região (Pare). A praga tira o sono dos produtores, que, juntos, tentam encontrar uma solução que não comprometa a produção.
A busca por uma solução levou a associação a realizar um evento intitulado 1º Dia de Campo, onde várias empresas, profissionais e produtores debateram o assunto e conheceram as mais diversas técnicas de combate ao nematóide.
Das nove alternativas apresentadas, três são inovadoras e estão em fase de testes. Elas poderão ser utilizadas regionalmente depois que a associação discutir a viabilidade e os custos. A Pare tem 60 associados com uma produção mensal de 12 mil caixas de pimentões em área de 100 mil metros quadrados de estufa.
O uso da fibra de coco no cultivo do pimentão, sem uso do solo, foi uma das opções inovadoras apresentadas durante o evento pelo engenheiro agrônomo Alexandre Souza Tanaka, da empresa Amafibra, do Grupo Sócoco. A técnica é usada nos países europeus e na América do Norte, onde há tecnologia mais avançada.
O plantio, que utiliza o vaso para cultivo, serve não somente para o cultivo de pimentões, segundo o agrônomo. “É uma alternativa de plantio que pode ser usada no cultivo de tomates e de outras tantas plantações. A fibra de coco é usada como substrato”.
O cultivo é encarado como semi-hidropônico pelos produtores agrícolas. “A planta usa a fibra como sustentação, e os nutrientes de que ela necessita para se desenvolver são providos pela fértil-irrigação”, explica.
A vantagem do uso dessa técnica, informa Tanaka, é que a planta não tem contato com o solo. “Diminui a probabilidade de ter doenças ou pragas como nematóides, fungos e algumas bactérias que são doenças que causam grandes prejuízos e de difícil controle”.
Segundo o engenheiro agrônomo, essas doenças se desenvolvem em solo com quantidade de ar muito baixa. “Existe uma teoria que diz que a maioria dessas doenças se desenvolve em solo com aeração baixa. A fibra de coco tem uma capacidade de aeração muito alta. Vamos pesquisar se essas doenças se proliferam na fibra de coco, tendo uma fonte de contaminação”, diz.
A contaminação da planta pode ocorrer de várias maneiras, alerta Tanaka. “Através de ferramentas contaminadas, terra contaminada ou água contaminada.”
O uso da fibra de coco no plantio de pimentões exige investimentos altos em relação ao cultivo tradicional. “Como todo investimento, ele vai se amortizando durante os anos de uso. É uma técnica que evita vários problemas durante o processo de produção e o custo vai se minimizando durante toda a produção agrícola”, afirma Tanaka.
A fibra de coco vem de Holambra em fardos, compactada, explica o agrônomo. “É um produto pasteurizado e o transporte é fácil, assim como o manejo”, diz o engenheiro.
Estrangulamento
Na Faculdade de Agronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal estão sendo desenvolvidos estudos para encontrar a solução natural do combate ao nematóide, explica o engenheiro agrônomo Pedro Luiz Martins Soares. “O solo que tem nematóide tem fungos. Nós descobrimos que alguns fungos têm um potencial maior que os outros e capacidade para prender e estrangular o nematóide”.
Os potentes fungos foram isolados em laboratórios e um teste revelou que em 24 horas todos os nematóides estavam mortos. “A experiência foi feita da seguinte maneira: selecionamos esses fungos e colocamos centenas de nematóides sobre eles. Eles prenderam os nematóides e os mataram em 24 horas”, conta Soares.
Para fazer os fungos crescerem e prepará-los para o ataque contra a praga, foi usado o arroz, um alimento rico em amido. Depois que os fungos crescem no arroz, são aplicados no substrato onde a muda vai ser produzida. Quando o nematóide for atacar a raiz e prejudicar a planta, os fungos entram em ação, matando o nematóide.
“Estamos estudando quais substratos que podem ser utilizados para multiplicar os fungos, em grande escala. Atualmente estamos usando o arroz. Queremos encontrar substratos como o subproduto da indústria de alimentos, da indústria de bebida que favoreça o crescimento dos fungos a um custo menor para tornar viável a todos os produtores”, diz o pesquisador.
Outra forma de aplicação que também está sendo pesquisada é para o uso no campo. “20 dias antes de transplantar as mudas, aplica-se o substrato onde os fungos cresceram. Ele vai crescer no solo e vai prender e matar os nematóides.”
Segundo Soares, como os fungos são naturais não apresentam riscos para a planta, animais ou para o homem que irá manipulá-los.
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Dia de Campo
A presidente da Produtores Associados de Reginópolis e Região (Pare), Maria Paula Sampaio Ferraz, explica que o 1º Dia do Campo foi organizado porque o maior problema dos 60 associados é o nematóide, que atinge hoje 90% dos produtores. “Estamos buscando soluções para a região. As técnicas apresentada, com certeza são viáveis”.
Maria Paula explica que convidou várias empresas e profissionais. “Eu deixei livre para todos colocarem seus produtos. A partir de agora, a associação vai fazer uma pesquisa de custo para o produtor. Foram apresentadas nove técnicas, as inovadoras foram a fibra de coco, mudas enxertadas e o uso de fungos no combate ao nematóide”, conta.
Na opinião da professora de olericultura (cultura de legumes) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal Leila Trevizan Braz, é preciso que as alternativas sejam submetidas à avaliação. “São alternativas que visam solução para os nematóides da região. Há necessidade de reavaliar esse material durante sete meses. Após este período, realmente nós vamos ter uma solução efetiva para os problemas de nematóide”, diz.
A professora acredita que talvez a união de mais de uma técnica seja a solução para o problema. “Nessa região, que antigamente se plantava café, o solo favorece a disseminação de nematóides, há uma maior incidência. O nematóide acaba com a longevidade da planta e compromete o período de produção, porque a planta perde a capacidade de absorção de nutrientes e, com isso, reduz o ciclo da cultura em detrimento da produção”, explica.
A professora diz que a reprodução dos nematóides é rápida. “Um só nematóide chega à taxa de reprodução de 600 em 50 dias. Isso mostra o quanto é rápida a evolução. Isso tem sido discutido principalmente para culturas de café, tomate e outras culturas. No caso da cultura do pimentão está sendo mais grave porque não temos, nessa região, cultivares com resistência genética. O tomate tem resistência genética, então, não é tão grave.”