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Com longo atraso, PAI é reinaugurado

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Prevista para ser concluída em 90 dias, a reforma do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) foi entregue ontem à tarde, mais de sete meses após ter sido iniciada. A reabertura do prédio, localizado ao lado do Pronto-Socorro (PS) Central, traz alívio para quem precisou de atendimento pediátrico emergencial durante esse período e foi obrigado a se deslocar até a unidade da Vila Ipiranga.

A cozinheira Ione Venceslau Almeida reclama do tempo que gastava para ir do Núcleo Bauru 16, onde mora, até o PS da Vila Ipiranga. “É um lugar que fica muito longe de casa. Quando a reforma do PAI começou, não imaginei que o transtorno seria tão grande”, relata.

A auxiliar de limpeza Márcia Cristina Nunes Canalli, moradora do Núcleo Geisel, conta que dependia de carona para levar o filho ao pediatra. “Eu costumava ir ao PS Central pegar a perua da prefeitura, só que quando terminava a consulta, era preciso esperar o carro retornar para ir embora”, diz.

A camareira Renata da Silva Oliveira lembra que a falta de equipamentos na Vila Ipiranga também provocava complicações. “A gente fazia a consulta, mas se precisasse de um raio-x tinha que ir ao PS Central e depois voltar. Nesse intervalo, se passavam muitas horas”, comenta.

Para o secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab, que esteve ao lado do prefeito Nilson Costa (PTB) durante a cerimônia de reinauguração do PAI, as condições de atendimento que serão oferecidas após a reformulação da unidade compensam os problemas causados pelo atraso das obras. “Quem for usar o prédio ficará muito contente”, justifica.

Segundo ele, a prefeitura investiu cerca de R$ 180 mil na obra. “Fizemos uma reformulação total no prédio para dar maior conforto aos usuários e aos nossos funcionários. Além da cobertura, trocamos o piso e a parte elétrica e hidráulica”, comenta.

Argumentos

Saab lembra, ainda, que o atraso foi causado pela desistência da ZHP Engenharia e Comércio Ltda, que havia vencido a licitação para realizar o serviço, mas não o terminou. “Nós achávamos que, no máximo em outubro, a reforma estaria concluída, mas infelizmente, na vida pública, nem tudo é como a gente quer e quando houve o problema com a construtora, precisamos seguir o trâmite burocrático para que a nova empresa assumisse”, diz.

O mesmo argumento foi utilizado pelo prefeito para justificar o atraso. “Hoje, a situação econômica do País é tão difícil que não é exceção quando uma obra começa e pára na metade. As empresas entram na licitação com preço muito justo e, às vezes, qualquer turbulência no campo econômico causa problemas. Até maio, deveríamos estar entregando cinco escolas, mas só vamos poder entregar uma, porque as empresas não conseguiram cumprir os contratos das demais até o fim”, relata.

A ZHP, que havia sido responsável pela remodelação do PS Central, enfrentou uma greve de funcionários apenas dez dias depois de iniciar o trabalho de reforma do PAI. Após um acordo entre as partes, as obras foram retomadas, mas voltaram a ser paralisadas um mês depois. A construtora anunciou, então, que estava desistindo da obra.

Seguindo o que determina a legislação, a prefeitura passou a consultar, pela ordem, as demais classificadas no processo licitatório. A Zênite Engenharia e Construções, que havia ficado em terceiro lugar, aceitou assumir o trabalho. Até a assinatura do novo contrato, porém, foram cerca de dois meses.

O PAI voltou a funcionar normalmente no início da noite de ontem. Pelo prédio, passam cerca de 300 crianças por dia.

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Vila Ipiranga

Com a reabertura do PAI, o Pronto-Socorro da Vila Ipiranga volta, a partir de segunda-feira, à sua rotina normal. A prefeitura chegou a cogitar a possibilidade de reformar o prédio, mas desistiu da idéia. “Estivemos reunidos com o conselho gestor da unidade e eles não querem que ela seja reformada. Como são eles quem dão a palavra final, mudamos os nossos planos”, afirma o secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab.

Além da preocupação com o atendimento médico no bairro enquanto o prédio estivesse fechado, os moradores temiam, ainda, o fechamento definitivo do PS. Eles chegaram a organizar uma manifestação para protestar contra essa possibilidade.

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CRONOGRAMA DAS OBRAS

04/08/2003 - Início das obras

14/08/2003 - Funcionários da ZHP Engenharia e Comércio entram em greve

22/08/2003 - Os trabalhos são retomados

17/09/2003 - Nova paralisação

23/09/2003 - A ZHP desiste do serviço

29/10/2003 - A construtora Novo Milênio, segunda colocada na licitação, recusa o convite para assumir a reforma

24/11/2003 - A Zênite Engenharia e Construções, terceira colocada, reinicia aos obras

19/03/2004 - PAI é reinaugurado

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