Iacanga - Os estudantes de Iacanga (50 quilômetros a Norte de Bauru) que viajam até Bauru para estudar pagarão menos, a partir de segunda-feira, para usar os dois ônibus da prefeitura. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL). Ele disse que vai baixar de R$ 2,00 para R$ 1,00 o valor dos passes escolares. Cada passe dá direito a uma viagem de ida e volta até Bauru.
Embora o prefeito não admita, seria uma forma dele se desculpar com os estudantes pelos transtornos causados após o corte dos ônibus.
Anteontem, os alunos conseguiram na Justiça uma liminar obrigando o prefeito a restabelecer o transporte, que está suspenso desde quarta-feira da semana passada.
Até ontem, no entanto, a ordem judicial ainda não havia sido cumprida por Durvalino. Os estudantes chegaram a registrar boletim de ocorrência para protestar contra a atitude do prefeito.
Durvalino disse ontem à tarde que ainda não havia, sido notificado da liminar, por isso não iria liberar os ônibus para os estudantes. Ele só deverá fazer isso na segunda-feira, segundo informou.
Ele declarou que vai recorrer da decisão do juiz substituto Heitor Katsumi Miura, do Fórum de Ibitinga, mas mesmo que vença, Durvalino afirmou que não irá mais deixar os alunos sem ônibus.
Segundo ele, o objetivo com a interrupção do transporte já foi alcançado. “Eu já consegui fazer com que a população visse que a Câmara não faz outra coisa senão me perseguir e tentar atrapalhar a administração”, disse.
Mesmo sabendo que uma parcela dos alunos parou de estudar por falta de dinheiro para pagar o frete de um outro ônibus, Durvalino declarou que não se arrepende da atitude que tomou.
“Não me sinto culpado de nada. Com a minha decisão, eu queria apenas alertar a população de que sou obrigado a carregar sozinho um piano pesado por querer fazer o bem”, alegou.
Na avaliação dele, uma semana sem aula não é o suficiente para atrapalhar o curso. “Quem ficou sem estudar uma semana poderá voltar (às aulas) sem problemas”, disse o prefeito, referindo-se aos alunos que interromperam os estudos pora falta de recursos para pagar um ônibus fretado.
Alvo errado
Apesar do descontentamento provocado entre os alunos, o prefeito declara que nunca teve a intenção de entrar em atrito com eles. No entanto, a revolta dos estudantes foi inevitável.
“Não temos nada a ver com a briga entre o prefeito e a Câmara Municipal. Esse é um problema deles, não nosso”, disse o estudante universitário Murilo Antônio Pinto, 27 anos, quando o prefeito anunciou o corte dos ônibus, na semana passada.
A suspensão do transporte foi uma tática usada pelo prefeito para pressionar a Câmara da cidade a rever as duas Comissões Processantes (CPs) que estão em andamento. Uma delas analisa exatamente a compra dos dois ônibus que levam os estudantes até Bauru.
De acordo com denúncia apresentada por um morador, há suspeitas de superfaturamento na compra dos veículos. Cada um custou R$ 38,5 mil à prefeitura.
Eles foram comprados em dezembro de 2000. Seis meses depois, os mesmos teriam sido avaliados pela própria prefeitura em R$ 26,5 mil.
A outra CP foi aprovada com a finalidade de apurar suspeitas de improbidade administrativa por parte do prefeito em um loteamento de terras.