Fazer parte de uma Olimpíada é o sonho de todo atleta. A poucos meses do início dos Jogos Olímpicos de Atenas, que ocorre de 13 a 29 de agosto deste ano, as modalidades esportivas ganham destaque e novos adeptos. Mas para chegar lá, é preciso muita dedicação, treinamento, disciplina e uma grande paixão pelo esporte.
Em Bauru, muitas crianças e adolescentes se preparam para participar de competições regionais, estaduais e nacionais e, quem sabe, um dia chegar a participar de uma Olimpíada. A fase de treinamento também exige a dedicação dos técnicos, que sabem dosar a rigidez no treinamento com o carinho nas horas difíceis.
A ginástica rítmica é uma modalidade esportiva que discretamente conquista espaço no coração das atletas. “É uma prática feminina na qual o Brasil vem se destacando bastante. Nos dois últimos Pan-Americanos, o Brasil ficou em primeiro lugar”, lembra a técnica da equipe de ginástica rítmica da Luso e árbitra estadual Priscila Nagata.
A atleta Isabela Suenaga Moço tem 9 anos e pratica ginástica rítmica há 3 anos. Ela foi campeã da Copa do Brasil de Ginástica Rítmica (individual - mãos livres) em Santos e campeã da Copa Lindagg (individual - mãos livres e bola) em São Bernardo do Campo e conquistou o Troféu Ligado em 2003.
Ela faz parte da equipe de competição da Luso e se prepara para a Copa Estadual, em maio. “Vou competir no individual e conjunto (cinco atletas fazem uma apresentação)”, explica. Para ela, o esporte colabora em seu desenvolvimento. “Você cria suas séries, acompanha outras atletas e fica treinando para tentar se superar”, diz Isabela.
A Júlia Fernandes Tiritan tem 10 anos e começou aos 7 anos. Ela já conquistou a Copa Lindagg e outros torneios da modalidade. “Eu tinha que escolher um esporte, aí pensei na GRD (ginástica rítmica desportiva - hoje o D não é mais usado) e na natação. Comecei e apaixonei. É preciso muita dedicação, mas vale a pena. A gente pratica cinco dias por semana, normalmente quatro horas por dia”, comenta Júlia.
Para ela, participar de competições é um grande estímulo. “Vejo outros movimentos, quero fazer igual, aprender e melhorar”, diz Júlia.
Esporte sem exageros
O professor de educação física e técnico de natação Oscar Fleury comenta a importância de saber dosar o esporte na vida da criança. “Fazer um campeão é fácil. Você pega um garoto e faz ele treinar ao máximo. Coloca desafios e, como é jovem, sempre vai superando, vencendo. Mas um dia ele vai pedir para parar”, diz Fleury.
Para ele, a prática esportiva deve ocorrer gradativamente. “O treinamento da criança deve acompanhar o ritmo do seu crescimento”, explica. Ele comenta exemplos de atletas que foram muito exigidos e tiveram que deixar a carreira muito cedo, às vezes até por problemas físicos. “Minha prima foi campeã Sul-Americana de natação e acabou com uma lesão.”
____________________
Paixão pela luta traz vitórias
A judoca Gabriela Santos Garbelotti tem 13 anos e coleciona medalhas. Ela já conquistou quatro vezes o título de campeã estadual, uma vez vice-campeã paulista e campeã paulista em 2003. Em abril ela recebe o Troféu Ligado, na categoria revelação. “Minha mãe queria que eu fizesse balé, mas eu queria judô. Sempre gostei de lutar.” A mãe, Valéria Cristina Garbelotti diz que ela foi incentivada pelo avô. “Meu pai, o Broncolino, colocou a Gabriela no judô quando ela tinha 7 anos, sem eu saber. Quando fui ver ela já estava competindo”, lembra. “Agora fico na torcida.”
Concentrada e dedicada, ela comenta da importância do técnico na formação do atleta. “O Sérgio Caumo é rígido, mas acalma a gente durante as competições.” Segundo ela, é muito importante ter um olhar de fora para ver o que está fazendo errado e poder corrigir.
Ela se prepara para um dia fazer parte da delegação olímpica brasileira. “É o meu sonho. O meu pai e a minha tia ficam disputando para ver quem vai me acompanhar”, brinca. Na vida esportiva, é fundamental o apoio da família. “Minha mãe assiste e meu pai sempre me acompanha. É um grande incentivador!”