Tirar adolescentes das ruas, incentivar o estudo, reduzir a violência e as pichações e ainda ensinar rap, break e grafite. Esse é o objetivo do projeto “Hip Hop - Educando para um futuro melhor”, que está entre os oito aprovados no Programa Municipal de Estímulo à Cultura.
A proposta é da ONG Núcleo Cultural Quilombo do Interior, que pretende atingir jovens e adolescentes de 15 bairros de Bauru, saindo de regiões centrais para a periferia da cidade.
O objetivo é desenvolver atividades de arte-educação como oficinas, palestras e debates, tendo sempre o hip hop como instrumento. As atividades de break, rap e grafite devem ser desenvolvidas em escolas públicas dos bairros escolhidos para o trabalho.
Entre os critérios de seleção dos locais de atuação estão o isolamento geográfico e as carências de atividades culturais.
Já o Jardim Europa, considerado nobre, tem uma justificativa especial. O grupo percebeu que é grande a quantidade de muros pichados no bairro. Por esse motivo, surgiu a idéia de ministrar oficinas de grafite.
Mara Rita Oriolo de Almeida, uma das arte-educadoras do projeto, reforça que a intenção é espalhar as ações pela cidade. “Nosso objetivo sempre é descentralizar. Até porque a gente conhece a realidade da periferia e, muitas vezes, o adolescente, não tem dinheiro nem para o passe de ônibus”, diz.
Ação
O projeto vai começar com aperfeiçoamento dos arte-educadores que ministrarão as oficinas. Participarão do processo profissionais de hip hop de outras cidades, além de psicólogos.
As prática das oficinas nos bairros está prevista para ter início em junho. Os trabalhos serão encerrados em novembro, com um grande evento em homenagem à Semana da Consciência Negra.
O Quilombo do Interior tem experiência de atuação em bairros de periferia porque já promoveu eventos de hip hop em diversos bairros. Desta vez, entretanto, eles devem iniciar outro perfil de atividade, que é a arte-educação.
Outro arte-educador, Renato Magu, ressalta que um dos pré-requisitos para participar das oficinas é estar matriculado no ensino regular. Ele diz que os principais resultados do projeto são esperados a longo prazo.
“Vamos despertar. Tentamos fazer o máximo que é possível fazer pelo processo da educação”, acrescenta Mara Rita.
O grupo visa a continuidade do trabalho. Para isso, pretende captar recursos da iniciativa privada. “A gente espera que as empresas de Bauru, entidades e fundações apoiem nosso trabalho”, pontua Mara.
Futuramente, eles querem criar a Casa do Hip Hop, que funcionaria como sede da ONG e como mais um local para ministrar oficinas e palestras.
Magu enaltece a criação do Programa Municipal de Estímulo à Cultura. “A prefeitura quis descentralizar as ações do Centro Cultural. Ela sabe que é difícil a cultura chegar até a periferia. São poucos os bairros que têm uma biblioteca ramal ou um centro cultural. Acho que eles quiseram colocar na periferia grupos que já trabalham com cultura e já têm um trabalho reconhecido na cidade”, diz.
Mara ressalta que o programa constitui uma forma da população ter mais participação no orçamento do município. “É uma maneira de nós, cidadãos, participarmos desse processo. A prefeitura tem várias coisas para resolver e de repente não sabe de tudo o que acontece e de todas as necessidades das pessoas”, avalia.
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“Viva Cultura”
O Núcleo 9 de Julho será foco do trabalho de artistas plásticos, músicos e outros profissionais que ministrarão oficinas no centro comunitário do bairro. É o projeto “Viva Cultura”. São atividades artísticas com objetivo de democratizar o acesso à arte e à cultura e proporcionar oportunidades de geração de renda.
Maria Terezinha Machado, responsável pelo projeto, explica que estão previstas oficinas de artes plásticas, cerâmica, papel reciclado, música e teatro, entre outras. Ela espera que os moradores do bairro mudem seus conceitos sobre cultura e sejam mais sensíveis à arte, com novas perspectivas e melhoria da qualidade de vida.
De acordo com Maria Terezinha, o Núcleo 9 de Julho foi escolhido por ser um bairro populoso carente de equipamentos culturais e com muitos bairros de perfil semelhante nas adjacências.
“O desemprego é grande, as crianças nas ruas e o centro comunitário ocioso são perfis que justificam a escolha”, argumenta a coordenadora.
O grupo já havia tido contato com a comunidade do bairro em 2003, quando promoveu exibições de filmes, oficinas de bonecos gigantes e de música. Os trabalhos não tinham periodicidade fixa por falta de recursos.
Agora, com verba da Secretaria Municipal de Cultura, a proposta é trabalhar no núcleo até dezembro deste ano, sob comando de cinco arte-educadores. Se tudo correr bem, as atividades não devem parar por aí.
Um dos objetivos é capacitar os moradores para transformar o centro comunitário do bairro num pólo cultural, gerenciado pela própria comunidade.
“Queremos formar agentes multiplicadores para dar continuidade ao trabalho. Esperamos que, depois de implantado, ele perdure indefinidamente”, enfatiza Maria Terezinha.
Adjacências
A expectativa é de que o “Viva Cultura” atraia não apenas moradores do 9 de Julho, mas também de bairros como Jardim Santa Fé, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, entre outros. “Os bairros crescem sem planejamento e surge uma população vulnerável, com auto-estima baixa”, observa a coordenadora.
Assim como os demais projetos aprovados na lei de Estímulo à Cultura, o “Viva Cultura” receberá do Município uma verba de aproximadamente R$ 20 mil - valor máximo estipulado pela lei.
Com esse valor, o grupo pretende trabalhar na formação de cidadãos, prevenindo problemas sociais. “Acreditamos na importância da cultura na formação da cidadania e no enfrentamento das questões sociais”, observa Maria.
Para ela, a lei municipal 5042 é um grande avanço para Bauru porque deve favorecer a aproximação das entidades que trabalham com cultura na cidade, além do debate diário sobre o assunto. “Esperamos que a cidade realmente viva e respire mais cultura. É uma iniciativa bastante louvável”, avalia.