No dia 21 de março de 1954, em São Paulo, na rua Javari, decidindo a vice-liderança da Série Amarela, pelo campeonato da II Divisão de Profissionais do Interior, jogaram as equipes do América do Rio Preto e da Associação Desportiva de Araraquara.
Para os bauruenses, esse jogo não tinha qualquer interesse, pois o Noroeste já estava classificado para disputar o Torneio dos Campeões, o qual ele venceu com méritos e esse triunfo que lhe lhe deu o direito de ingressar pela primeira vez no futebol maior de São Paulo.
Mas, a preliminar daquela tarde esportiva é que despertava a atenção da torcida do Bauru, pois o infanto-juvenil do Bauru AC, iria enfrentar o Flamengo, equipe da mesma categoria do futebol paulistano.
No antigo campo do Juventus estavam presentes várias emissoras que iriam transmitir o principal jogo, inclusive a Bauru Rádio Clube que, sob o comando do radialista José Fernando do Amaral, estaria focalizando a apresentação do time bauruense.
É lógico, que não passava pela cabeça de ninguém que aquela partida iria entrar para a história e que o velho estádio juventino viria a ser testemunha de um acontecimento que no futuro seria contado em prosa e verso. Entre os jovens de Bauru, estava um menino de pele escura, vestindo um uniforme cuja numeração era bem maior que o da roupa que ele normalmente usava. O calção, muito largo, fazia dele até mesmo uma figura engraçada.
Seu nome: Edson, mas que também era chamado de Pelé. Sem se intimidar com o público formado em sua maioria por torcedores de São José do Rio Preto e de Araraquara, começou dele a despontar entre os 22 atletas, proporcionando jogadas incríveis, fintas desconcertantes e colaborando com a marcação de 5 gols que deram a vitória ao time bauruense, por 12 a 1.