Saúde

Produto de limpeza requer uso adequado

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Detergentes, sabões em pó, desinfetantes e inseticidas fazem parte da rotina de praticamente todos os ambientes freqüentados pelo ser humano. De tão habituais, porém, muitas pessoas se esquecem que estão lidando com substâncias químicas e podem sofrer quadros graves de intoxicação.

Um dos maiores problemas, de acordo com a toxicologista Efigênia Queiroz de Santana, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC), é usar produtos químicos em ambientes fechados. Ela explica que alguns componentes evaporam e podem ser inalados por quem os está manuseando. “Substâncias tóxicas inaladas podem matar por asfixia”, adverte.

Acidentes deste tipo podem ocorrer em qualquer residência. Um exemplo são os produtos usados para tirar mofo dos azulejos. A maioria deles contém cloro. A pessoa entra no banheiro, fecha a porta para não molhar outros cômodos da casa, aplica o produto e fica lá dentro respirando a substância tóxica.

“Nesse caso, a pessoa vai sentir uma certa dificuldade respiratória, pode começar a tossir até chegar à sensação de sufocamento mesmo”, comenta. Neste caso, o ideal seria aplicar o produto e sair do ambiente. Depois, abrir o cômodo e deixá-lo ventilar antes de entrar para fazer a limpeza.

Outro hábito muito comum destacado pela especialista é o uso doméstico de inseticidas. “A pessoa fecha a casa no fim da tarde, pulveriza e fica lá dentro dizendo que é para matar os pernilongos. Os sprays usados hoje são feitos à base de piretróides, que são derivados naturais e têm menor toxicidade. Mas são inseticidas”, adverte.

Ela lembra do caso de uma noiva que decidiu pulverizar a casa no dia do casamento. “Ela foi lá de manhã, jogou o inseticida e trancou tudo. Na mesma noite, depois da cerimônia, os noivos foram dormir na casa. Ela não acordou no dia seguinte. Já tinha inalado uma grande quantidade de inseticida durante o dia e passou a noite respirando aquilo. A dose inalada foi letal para ela”, conta.

De acordo com a toxicologista, o correto é aplicar o veneno no meio da tarde, com a casa totalmente aberta e sair do ambiente por uma ou duas horas. “Ou então, aplicar pela manhã, se você vai sair para trabalhar. Quando voltar, abra todas as janelas para ventilar. A gente não sente o cheiro depois de algum tempo, mas o inseto sente e não entra”, orienta.

Confusão

A ingestão acidental de produtos de limpeza por crianças também são muito comuns, segundo a toxicologista. Ela ressalta que as cores dos produtos são bonitas e tendem a despertar o interesse dos pequenos. “Ele olha para o líquido verde (detergente) e sente vontade de experimentar”, diz.

Além de manter os frascos em lugares altos, de preferência trancados, Santana orienta que os pais nunca armazenem produtos químicos em garrafas de refrigerante, como muitos deles são vendidos. “Ela está acostumada a ver aquilo sobre a mesa, sabe que é de beber e que é gostoso e ainda vê o líquido de cor bonita lá dentro, vai experimentar”, reforça.

A ingestão acidental em crianças é várias vezes mais grave em adultos. Por ter um organismo pequeno, a intoxicação é mais rápida, muito mais grave e pode ser letal em doses muito pequenas.

Mistura

Outra situação arriscada na manipulação de produtos de limpeza, segundo Santana, é misturar substâncias diferentes. “Primeiro que é jogar dinheiro fora, já que um único produto deveria ser totalmente eficaz. Depois, você não sabe o resultado dessa mistura. Se a reação libera cloro e você inala, isso é altamente tóxico”, alerta

O raciocínio é claro: todo produto químico sofre uma reação quando colocado em contado com outro produto químico. A liberação de gases tóxicos é apenas um dos vários resultados possíveis. A mistura pode criar um produto corrosivo e causar queimaduras. Ou pode, inclusive, anular uma propriedade desinfetante.

“Produtos químicos, em geral, precisam ser usados com cautela. A regra número um é ler o rótulo antes de usar. Você já leu o rótulo do detergente que está na pia da cozinha? Sabe o que fazer em caso de acidente? Mas se olhar o rótulo, essas informações estão lá. E é assim com qualquer produto, o rótulo indica como usar e, até, como proceder em caso de ingestão acidental ou outra situação de emergência”, destaca.

Segundo Santana, em caso de acidente, deve-se agir rápido. O primeiro passo é retirar a pessoa do ambiente contaminado. Se ela não respira, deve-se aplicar a técnica de respiração boca-a-boca, enquanto outra pessoa chama o socorro. Se a pessoa estiver consciente, deve-se questionar qual foi a substância usada. Se não, deve-se vasculhar o ambiente em busca de pistas.

“E uma regra geral: se souber o que fazer, aja o mais rapidamente possível. Se não souber ou tiver dúvidas, não faça nada. Leve a vítima ao pronto-socorro imediatamente”, recomenda.

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