O Departamento de Água e Esgoto (DAE) estima que menos de 1% dos bauruenses não tenham acesso à rede coletora de esgoto, situação bem diferente da realidade nacional apontada por um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que indicou que 60% dos brasileiros não contam com o benefício. Ainda assim, sobram reclamações entre as pessoas que vivem na cidade e fazem parte dessa minoria.
A dona de casa Daiana Rocha, que mora há três anos na favela do Parque Jaraguá, conta que o esgoto da casa é despejado em um barranco que fica nos fundos da sua residência. “É uma situação muito desagradável”, comenta.
O companheiro dela, Daniel Bernardo, afirma que o mau-cheiro não é o único problema causado pela falta da rede coletora de esgoto. “A sujeira atrai aranhas e até cobras”, relata.
A aposentada Devanir Constantino da Silva, que também mora na favela, reclama do acúmulo de caramujos. “É o que mais tem. Isso me preocupa bastante”, declara.
Outro morador do local, Edson Francisco Alcino, afirma que improvisar um cano para levar o esgoto até o córrego que passa atrás da sua residência foi a única maneira encontrada por ele para suprir a falta de infra-estrutura no local. “Já que não há outro jeito, temos que usar o que é mais fácil, mas se a prefeitura fizesse a ligação, seria melhor”, diz.
A assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, afirma que, atualmente, todos os bairros do município são atendidos pela rede coletora de esgoto, mas que a autarquia não pode autorizar a ligação das residências construídas irregularmente, caso das favelas. “Elas estão em terrenos que são alvo de disputa judicial”, justifica.
Segundo ela, há ainda condomínios que não fazem parte da rede coletora porque optaram pela utilização de fossas sépticas. “É também o caso da região da Quinta da Bela Olinda”, relata.
Números
O levantamento do IBGE, baseado em dados do censo de 2000 e da pesquisa nacional de saneamento básico, realizada no mesmo ano, mostra que Tocantins é o estado com menor índice de acesso à rede de esgoto, com apenas 1,3% da população atendida. Na outra ponta da tabela está o Distrito Federal, que registra 87,7% de inclusão. Em São Paulo, 75,3% dos habitantes possuem o benefício.
Já entre as regiões, a Sudeste é a que apresenta melhor desempenho na pesquisa, com 63,6% dos moradores atendidos pela rede de esgoto. No Norte do País, porém, esse índice é de apenas 2,8%.
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Tratamento
Se a situação de Bauru é confortável em termos de rede coleta de esgoto, com mais de 99% da população atendida, o mesmo não pode ser dito em relação ao tratamentos dos dejetos.
Um Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo prefeito Nilson Costa (PTB) com o Ministério Público (MP), em julho de 2000, deu prazo até o final de junho deste ano para que o município comece a tratar o esgoto que produz, sob pena de multa diária de cerca de R$ 100 mil.
A prefeitura tenta, junto à Caixa Econômica Federal (CEF), a liberação de um empréstimo de cerca de R$ 50 milhões para poder construir a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e concluir a instalação de 54 quilômetros de interceptores de esgoto, dos quais apenas 23 quilômetros já foram implantados.