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Enfim, ultra-som novo sairá da caixa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O aparelho de ultra-sonografia adquirido pela administração municipal, que está encaixotado desde agosto do ano passado, entrará em funcionamento na primeira quinzena de maio. A partir desse período, as gestantes de Bauru atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) vão esperar menos pela realização do exame, que atualmente leva cerca de quatro meses para ser agendado.

O fim à morosidade foi anunciado ontem pelo Secretário Municipal de Saúde, Hanna Saab, que esteve reunido com o promotor da Vara da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira, com o diretor da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, e com representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Foi a entidade que denunciou ao Ministério Público (MP) a escassez de cotas de ultra-som no município, conforme o JC publicou. Apenas 100 pacientes por mês são atendidas pela Maternidade Santa Isabel, único hospital da cidade a realizar o procedimento. A quantidade de exames é estabelecida pelo SUS.

“Como a Maternidade vai continuar fazendo (os exames), é possível que a partir disso a fila diminua e até acabe. O serviço será oferecido num anexo do núcleo de saúde da Vila Falcão”, explica o secretário, contradizendo matéria anterior quando informou que o aparelho de ultra-sonografia estava parado há um ano.

“Eu errei na época. Ele chegou em agosto e a previsão é que comece a funcionar em maio. O prédio (onde será instalado) passará por uma pequena reforma, ainda não iniciada”, acrescenta Saab.

As obras, orçadas em R$ 6 mil, pretendem facilitar o acesso das usuárias ao imóvel, que receberá equipamentos de segurança e ar-condicionado. O valor já foi liberado pela administração municipal. Quando a nova estrutura estiver finalizada, o encaminhamento das grávidas ao novo serviço será definido.

Único

Todas elas terão assegurada a realização de apenas um exame durante a gestação, conforme preconiza o programa de atendimento da SMS. No entanto, médicos particulares indicam pelo menos três durante os nove meses. “Nada impede que em casos específicos sejam feitos outros exames, de acordo com a necessidade das pacientes”, acrescenta Saab.

Em outros níveis de governo (estadual e federal) também não há indícios de que a ultra-sonografia seja considerada um procedimento de rotina, informa o promotor Lucas Pimentel Oliveira. Ele está desenvolvendo uma pesquisa sobre o assunto.

A ultra-sonografia é um método de diagnóstico que, mediante emissão de ondas sonoras de alta freqüência, permite a visualização de órgãos internos do corpo. Ela pode identificar enfermidade ou malformação.

“Se a gravidez for de alto risco ou apresentar algum problema, o SUS não tem limite para a realização do exame. Mas para gestações normais a lei não prevê ultra-som. O município prevê uma (utra-sonografia), independentemente da natureza”, esclarece Oliveira.

A saúde pública de cidades como Marília e São José do Rio Preto também recomenda apenas um exame, o diferencial é que o número de ultra-sons realizado por mês nestas cidades é sete vezes maior.

Se a cota de Bauru fosse ampliada, talvez Telma Cristina da Silva Terrabuo já tivesse sido atendida. Grávida de três meses, ela realizará o exame na próxima segunda-feira.

“Acho a ultra-sonografia importante, principalmente para quem fuma como eu. Demorei três meses para conseguir agendar. Tentei marcar assim que soube da gravidez”, conta.

Se após o funcionamento do novo equipamento a morosidade no agendamento não tiver fim, o Ministério Público analisará outras providências a adotar. Em última instância, pode propor uma ação cível pública contra a administração municipal. A reportagem não conseguiu localizar as representantes do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes para comentarem o assunto.

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