Política

Oposição pede saída de Nilson ao MP

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Três vereadores da oposição protocolaram ontem no Ministério Público Estadual (MP) a fita da gravação que contém diálogo entre o secretário de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, e João Parreira de Miranda (PSDB). No requerimento, os oposicionistas pedem que os agentes públicos citados nas gravações sejam afastados do cargo até a apuração da denúncia, o que inclui o próprio prefeito Nilson Costa (PTB).

O requerimento foi encaminhado aos promotores de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, e criminal, João Henrique Ferreira. Parreira foi ao Fórum local acompanhado dos colegas de oposição Clemente Rezende (PDT) e Toninho Garmes (PSDB).

“Pedimos o afastamento das funções das pessoas do governo relacionadas ou citadas nas fitas, porque no exercício do cargo elas vão atrapalhar as investigações”, argumenta Parreira.

Para o vereador, estão nessa situação o prefeito Nilson Costa, o chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, o assessor de Gabinete, Luis Freitas e o secretário de Finanças, Raul Duarte. “O Raul fala de todos eles na gravação. Ele fala que se abrir a boca enterra o Nilson, diz que desconfia do prefeito após ele ter recontratado o Freitas e cita o chefe de Gabinete”, diz.

Para o vereador, o afastamento também se justifica por outro fato. Ele recorda que assim que a denúncia de que haveria esquema de propina na administração foi lançada por ele, em plena sessão da Câmara Municipal de Bauru, um dos empresários contratados foi chamado, imediatamente, pela prefeitura.

O fato ocorreu logo após a divulgação de trecho da gravação contendo diálogo entre o empresário Antonio Roberto Palharim e Parreira. Na gravação, Palharim afirma que pagou 16,5% em propina para receber créditos da prefeitura. Contudo, Palharim foi à Polícia Civil declarar que suas afirmações ao vereador foram “apenas bravatas”.

“Eu fiz a denúncia no meio da tarde e 15 minutos depois o Gabinete já estava com o prestador de serviço na prefeitura para dizer que não era bem assim. O prefeito não tem interesse na apuração e está interferindo”, critica.

O promotor Fernando Masseli Helene adiantou que vai analisar o conteúdo das gravações para instaurar procedimento. “Vou ouvir o conteúdo das fitas para montar uma estratégia de apuração em torno das informações que os diálogos trazem. Vamos ouvir todos os citados que podem manter relação com o objeto da denúncia”, menciona.

Já o promotor criminal João Henrique Ferreira vai encaminhar o material gravado para perícia e posterior juntada no procedimento já iniciado. A fita entregue ontem traz um único diálogo entre Parreira e Raul Duarte. Mas outras gravações já haviam sido protocoladas no MP, onde existem conversas do parlamentar com empresários e outros diálogos mantidos com o próprio secretário de Finanças.

Em manifestação à imprensa, Duarte alegou que fez “desabafos” ao vereador, mas que não tem informações sobre a suposta existência de esquema dentro do governo. Para ele, o trecho da gravação divulgado pelo vereador foi editado.

Silêncio e crise

O assessor de Gabinete Luis Freitas enviou nota informando que constituiu advogado para adotar as medidas judiciais cabíveis por ter seu nome citado por Raul Duarte na gravação divulgada anteontem. “Vou tomar as medidas visando obter o exato alcance das dúbias e inconsistentes denúncias, de forma a eliminar eventual mácula sobre minha idoneidade de homem público”, traz a nota.

Para Freitas, “é desejo de todos o completo esclarecimento dos fatos”. O chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, que também teria seu nome citado em outras gravações, não quis se antecipar. A exemplo do prefeito, ele vai aguardar para conhecer o teor completo das gravações para se manifestar.

Apesar do silêncio, o incômodo gerado pelo diálogo mantido entre Duarte e Parreira explodiu no centro do governo, onde o clima já era de disputa e de divisão. Nos bastidores, o que se apurou é que o chefe do Executivo foi pressionado a demitir Raul Duarte ontem.

Mas Nilson Costa nem demitiu e nem saiu em defesa de seu homem de confiança, o que ampliou os efeitos da crise junto à opinião pública. Por meio de sua assessoria, o chefe do Executivo apenas comentou que não se pronunciaria sobre um trecho de gravação, mas somente em relação ao conteúdo completo da fita.

Dudu ironiza

O vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL), citado por Raul Duarte como seu parente, ironizou: “Deve ser parente de décima geração. Quanto às gravações, o fato é grave e todo o conteúdo do material tem que vir a público. A sociedade tem o direito de conhecer essa história por inteiro”, cobra.

Para Ranieri, as gravações mostram que a administração está dividida entre grupos. “A cidade parou e está sem comando. O prefeito se cala diante de seu secretário tentando colaborar com a oposição porque tem inimigos dentro do governo. O trecho da fita que foi divulgada indica que o caso da merenda era mais grave do que pareceu”, comenta.

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