Articulistas

Retomada do crescimento


| Tempo de leitura: 2 min

Todos devem se recordar que as projeções para a economia brasileira eram otimistas. No início do ano falávamos em crescimento do produto interno bruto de 4%, ou seja, o faturamento de todas as empresas, em média, cresceria 4% além da correção da inflação. Evidentemente que também havia muita expectativa quanto à geração de empregos. O cenário era esse: as empresas iriam faturar mais, ter acesso a crédito mais barato e com tudo isso contratariam mais operários e a renda de cada um de nós aumentaria. O que mudou? Ocorreram alguns problemas de janeiro até agora.

Inicialmente tivemos problemas com o controle da inflação. O governo fixou como meta para esse ano 5,5%. Bastante apertada para os padrões brasileiros. Todos sabemos que muitos preços da economia são reajustados automaticamente todos os anos, como a energia elétrica, a telefonia, os aluguéis. Outros preços aumentam em função da época do ano, como as matrículas e materiais escolares. Quase metade dos preços no Brasil não depende somente da oferta e procura. A isso chamamos de concentração econômica, ou seja, as grandes empresas impõem seus preços.

Inflação em alta fez o governo segurar a queda dos juros, visando manter o dinheiro aplicado e ainda evitar que as pessoas comprassem produtos utilizando crédito barato. Além desses aspectos temos outros problemas importantes: a crise do governo, com denúncias de corrupção; briga entre ministros e até mesmo a crise internacional, com atentados e crescimento do terrorismo, o que abala os mercados. Conclusão: amarraram a economia e as empresas estão retardando o crescimento e com isso a geração de empregos. Está tudo perdido? Não. Chegamos ao fundo do poço e mesmo que as coisas não caminhem na velocidade que desejamos, podemos esperar um crescimento, mesmo que pequeno, chegando na casa dos 3%.

Lamentavelmente, ainda patinamos e a falta de maturidade econômica não nos permite passarmos ilesos a tudo isso. Ainda não é hora de jogar a toalha, ainda!

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon.

Comentários

Comentários