A região de Bauru apresenta o menor índice de doação de órgãos em São Paulo, entre as dez sub-regiões divididas pela Secretaria de Estado da Saúde para o controle das doações e realização de transplantes. Na tentativa de reverter este quadro, o Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvello de Bauru (HE) e o Hospital de Base (HB), juntamente com escolas e entidades da cidade, participam hoje da 1ª Caminhada pela Vida, que pretende chamar a atenção da população para a doação de órgãos e tecidos.
A região de Bauru é coordenada pelo Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e inclui ainda as cidades da região de Avaré e Jaú. De acordo com a médica nefro-pediatra Amélia Trindade, que coordena a Organização para Procura de Órgãos (OPO) Bauru/Botucatu, enquanto a região de Marília tem cerca de 30 doadores gerais por ano, a região de Botucatu e Bauru chega a apenas quatro doadores, em média.
“A diferença é muito grande e nossa perspectiva é de aumentar o número de doações em Bauru em pelo menos dez vezes, até o final do ano”, aponta Amélia.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, os dados gerais de São Paulo são mais animadores. O número de doadores gerais dobrou no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2003. Foram 83 doadores em janeiro e fevereiro, beneficiando 268 pessoas, contra 42 nos dois primeiros meses do ano passado.
A nefro-pediatra, que é membro da equipe de transplantes do HC, comenta que o pequeno índice de doações é motivado principalmente pela falta de informação da população. “Constatamos nas palestras que as pessoas têm medo e poucas informações sobre o assunto. Nosso intuito é ampliar a discussão sobre doação de órgãos em Bauru e despertar mais interesse na população”, diz.
As maiores dúvidas da população, segundo Amélia, referem-se aos pacientes beneficiados e ao tráfico de órgãos. “São 58 mil pessoas no Brasil todo à espera de um órgão. A lista é única e os pacientes são atendidos por ordem de inscrição, de forma justa. Quanto ao tráfico, o último estudo da Associação Brasileira de Transplantes apontou que foram realizados 50 mil nos últimos dez anos, e só dez levantaram suspeita de haver algo diferente, mas nenhum teve nada confirmado”, explica.
As maiores filas de pessoas à espera de um órgão são justamente aquelas formadas por pacientes que encontram tratamento, como os que necessitam de um rim e realizam diálise. “Em coração e fígado, a lista é menor, porque infelizmente as pessoas não suportam a espera e morrem. Seu problema é mais urgente”, esclarece Amélia.
A médica orienta que as pessoas que desejam ser doadoras de órgãos informem suas famílias sobre sua vontade. “Num momento doloroso, quando a família acabou de perder uma pessoa querida subitamente, em um acidente, fica mais fácil decidir pela doação se o desejo já tiver sido expressado em vida”, ressalta.
Caminhada
A 1ª Caminhada pela Vida é uma iniciativa da Rede Pão de Açúcar de Supermercados em conjunto com o HE e o HB, e terá início às 9h em frente à loja da rede localizada em frente à rodoviária. Os participantes seguirão pela avenida Nações Unidas até a praça Rui Barbosa, onde haverá distribuição de brindes.
O evento tem como objetivo despertar a atenção e sensibilizar a população para a doação de órgãos, e contará com a participação de estudantes do ensino médio e membros de entidades da cidade, além da Polícia Militar (PM) e os integrantes do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC).
• Serviço
Para mais informações sobre doação de órgãos e transplantes, o telefone do Disque Saúde - Transplantes é 0800 61 1997.
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Manual
Para tentar informar e esclarecer as dúvidas das pessoas que aguardam pela doação de um órgão, a Secretaria de Estado da Saúde lançou ontem o Manual do Paciente em Lista de Transplante.
Na publicação, a população é informada sobre o processo de transplante de órgãos no Estado, o que é a Central de Transplantes, como se inscrever, como é formada a lista de espera, além de explicações sobre a distribuição de cada órgão.
O lançamento contou com a presença do ator Norton Nascimento, transplantado do coração em dezembro do ano passado, além do governador Geraldo Alckmin e do secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata. Os manuais serão distribuídos gratuitamente, com as informações sobre cada órgão divididas por cores, facilitando a leitura.