As mulheres são maioria na escola. Elas correspondem a 83% dos educadores e, além da jornada de trabalho doméstico, sofrem com os baixos salários que as obrigam a ter dois ou mais empregos. A desvalorização social e financeira do educador o remete a uma situação oposta àquela imagem, nobre e romântica de tempos idos. Possui a saúde comprometida - física e emocionalmente, por conta dos baixos salários, que os impedem de suprir suas necessidades básicas e nem atualizar-se profissionalmente, e também pelas condições precárias para o exercício de suas funções. Nós, professores, estamos sendo tratados como um livro velho perdido em alguma prateleira empoeirada. Nas aflições decorrentes de nossas momentâneas dúvidas a respeito de “onde estamos e quem somos”, respiramos fundo; podemos também acender um cigarro, ou tomar um gole de uma bebida qualquer. Estas ações simples e espontâneas são tentativas de recuperar o nosso “ser no mundo”, pois, a essência do homem está em ser relativamente algo ou alguém.
Querem nos fazer crer que não somos ou que não representamos nada, nos empurrando para a vala da depressão e demais doenças psicossomáticas (LER, DORT...). Cerca de 40% dos profissionais da educação encontram-se doentes, em diversos níveis. Há também aqueles que estão doentes e ainda não perceberam (ou não querem aceitar). O Estado nos passa a idéia de que o professor licenciado não passa de um “simulacro”, de um fingido, preguiçoso, e outros adjetivos pejorativos. Este pensamento negativo em relação ao professor doente acaba incorporado por outros professores, ocasionando situações de preconceito, originadas por desconhecimento da situação profissional - enquanto profissionais da educação - a que todos estamos submetidos.
A nossa luta, além de ser por um salário digno, à altura de nossa capacidade e responsabilidade, é também pela defesa de nossa auto-estima, que deverá ser representada na melhoria de nossas condições de trabalho. Está mais do que na hora de mostrarmos a eles que aquele livro deixado na prateleira empoeirada possui ainda muito conhecimento; e que este conhecimento é o que falta para mudarmos os rumos desta juventude que anda meio sem norte, com os olhares perdidos nas telas de televisão, embriagados pelos sonhos de consumo. Desconhecem eles que o dinheiro não pode comprar o abraço amigo, sincero e verdadeiro, e muito menos o conhecimento contido nos milhares de livros que continuam deixados nas prateleiras empoeiradas.
Professor José Reginaldo Furtado - RG 14.808.646