Cultura

Artigo: Mundo, mundo, vasto mundo...


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Quando nos defrontamos com as notícias da mídia, nos sentimos personagens de um romance. Não um romance qualquer, mas um romance que segue uma linha “sui generis”, o realismo mágico, com histórias tão inverossímeis e estranhas, como as escritas por Gabriel Garcia Marques. A realidade ultrapassa a mágica e o surrealismo da ficção.

Este nosso tempo é um tempo sem comparação na história da humanidade. Ficamos, deveras, boquiabertos, aparvalhados. Não é mais a ficção que imita a vida, mas a vida que teima em caminhar passo a passo com a ficção.

Vejam o episódio do bombeiro Wladimir, o herói da novela das oito, que jamais começou antes das nove. Tudo começou com um calendário, e a vida não demorou a imitar a arte, fazendo de um outro bombeiro semelhante, uma celebridade. O fato tomou tanta importância que rendeu mais manchetes do que a guerra do Golfo, o ataque ao Iraque, ou o ataque terrorista na Espanha, ou ainda o escândalo dos bingos.

Fatos assim tão surreais tornaram-se tão corriqueiros, que já não nos deveriam causar espanto. Mas, caramba, ainda levamos susto, pois quando pensamos que não há mais nada novo debaixo do sol, somos surpreendidos em nossa inocência.

Fico, como sempre, conjeturando sobre o mundo em que vivemos. A maturidade nos leva a pensar sobre a vida com muita freqüência. Coisa chata essa mania que a idade nos traz; pesar tudo o que acontece a nossa volta, na balança das idéias e dos ideais. É tanta informação, tanta deformação, tantas novidades, que deveríamos usar o refrão: cada mergulho, um “flash”!

Todavia, o que me surpreende mesmo é a nossa capacidade ilimitada de passar por cima dos desmandos e teimar em acreditar que tudo ainda pode dar certo. Que a vida, não obstante todos os descalabros, pode ser lindamente vivida.

Que o ser humano, em sua essência, tem algo de divino e é bom. Que o amor ainda faz a cabeça de homens e mulheres... Que as crianças continuam nascendo e trazendo esperança aos corações, mesmo aos entristecidos e maltratados. Que a fé remove montanhas e, como nos ensinou o Mestre: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã!”.

Mundo, mundo, vasto mundo, no dizer do poeta, que rima combinaria com você, não fosse Raimundo? Tudo complicado? A situação está preta? Algumas vezes nos sentimos órfãos, morando em casa de madrasta má? Sim, tudo é verdade! Se esse não é o mundo que queremos, certamente, esse é o único mundo que temos e, dele não quero descer, você quer?

A autora, Ercília Pollice, é escritora, poeta, artista plástica e colaboradora de Ju Machado - Escritório de Arte.

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