O secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, anunciou ontem, às 23h30, seu afastamento do governo Nilson Costa (PTB). Ele argumenta que não há mais clima político para permanecer no cargo em função de ter feito comentários contra colegas de governo nas gravações entregues pelo vereador João Parreira de Miranda (PSDB) ao Ministério Público Estadual (MP). Logo depois da entrevista concedida por Raul, o prefeito ligou para a Redação do Jornal da Cidade para anunciar que havia decidido pela exoneração.
Duarte diz que sai para deixar a administração à vontade. “Em função da revelação dessas conversas em que eu fui induzido e estava sob intensa pressão, eu me afasto para que tudo seja averiguado e os colegas não continuem tendo seus nomes expostos indevidamente”, argumenta.
Em fitas gravadas encaminhadas ao promotor criminal João Henrique Ferreira estão diálogos mantidos entre Duarte e Parreira nas quais o secretário fala abertamente de uma ação liderada por petebistas com a intenção de derrubá-lo do cargo.
Nos diálogos, o secretário comenta que após a cassação do prefeito, em setembro do ano passado, o vereador Milton Dota Jr. (PTB) estaria exercendo o papel de interlocutor junto ao governo para que deixasse a pasta. O grupo de Dota teria ligações, segundo as gravações, com o empresário Halim Aidar e formaria um grupo que exerce domínio sobre a administração.
Raul cita, nas fitas, que também pertencem a esse grupo os secretários José Angelo Padovan (Administração), Hanna Saab (Saúde), Jorge Monteiro (Obras) e Nilcéia Lourenço (Departamento de Água e Esgoto). “O Dota e o Halim Aidar mandam na prefeitura”, diz Duarte em um trecho de uma das gravações. “Falta me derrubar. Conversei com o Nilson e falei, olha, eu não sei o que vocês estão armando”, acrescenta Raul em outro trecho gravado.
Ao anunciar seu afastamento, Duarte pede desculpas aos colegas citados por ele nas gravações feitas por Parreira. “Peço desculpas a todos os colegas citados, mesmo tendo sido gravado de forma irregular, e peço a compreensão deles porque não sabia que estava sendo gravado. O prefeito Nilson Costa compreendeu que é melhor eu me afastar diante das pressões que eu já sofria desde o ano passado para sair. Falei com o Parreira em desabafo e sob pressão”, ameniza.
O secretário se diz envenenado pelo ambiente de pressão. “Foi me colocado esse veneno, e eu, infelizmente, fiz comentários sobre os colegas, mas não tenho nada que os desabone, acho que são pessoas sérias que estão tentando ajudar o governo”, minimiza.
Ele voltou a negar que tenha conhecimento de existência de esquema de propina dentro do governo. “Estou falando sobre problemas políticos, mas não é nada disso de propina, esquema. Os colegas citados estão fazendo um trabalho digno. Peço que eles compreendam que eu acabei falando o que não devia”, finaliza.
Antes disso, no final da tarde de ontem, o prefeito afirmou, em entrevista à imprensa, que Duarte permaneceria no cargo para ter a oportunidade de apresentar sua versão. “Ele tem que ter a oportunidade de apresentar suas alegações. As gravações foram montadas e não há nenhuma irregularidade.”
O prefeito foi ao Fórum protocolar representação para pedir a apuração de ofensa à sua honra.
____________________
Leia mais sobre este assunto
• Para promotor, fitas trazem fatos graves