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Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço


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Está cada vez mais difícil identificar pessoas justas e que agem de acordo com os bons princípios. Isso ocorre porque todos dizem fazer coisas em conformidade com aquilo que parece ser o certo. Só que entre a teoria e a prática, existe uma distância enorme. Tantas pessoas têm um discurso bonito, comovente, capaz de sensibilizar corações carentes e maltratados pela vida. Na prática, continuam sendo egoístas, vingativas, cruéis, sempre que alguma coisa sai diferente do que haviam programado. Pois é, vivemos cercados dessas pessoas enganosas: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Não contentes em serem hipócritas, falsas e fingidas, tais pessoas procuram denegrir a imagem de outros que se comportam com honestidade, clareza e transparência. É muito difícil conviver com a verdade quando se vive um verdadeiro embuste. Isso me faz lembrar a história que um verdadeiro amigo me contou dias atrás:

“Um homem que se considerava muito justo e bom, fazia de tudo para não pecar e seguir religiosamente os preceitos de sua crença. Sequer olhava do lado para não correr o risco de encantar-se com a beleza de alguma mulher e, mesmo em pensamento, vir a cometer algum deslize. Praticamente evitava o contato com as outras pessoas, no seu conceito pecadoras e indignas de sua atenção. Viveu assim, envelheceu e morreu. Chegando ao céu, já ia entrando quando foi barrado por São Pedro, que disse: - Seu nome não consta da lista. Não é possível, disse o homem, deve haver algum engano. Durante toda a minha vida eu jamais pequei. Chame o Senhor que quero ter uma conversa pessoal com Ele. Na presença de Deus, o homem passa a expor sua vida irrepreensível em contraposição à vida de outros tantos tão pecadores. Logo lembrei da parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14). Pois bem, após fazer toda a sua explanação, o homem termina mostrando suas mãos: - Veja Senhor, minhas mãos estão limpas! E Javé, com muita paciência diante da insistência do pobre homem, lhe disse: - Sim filho, suas mãos estão limpas, é verdade, mas estão vazias. O que você fez com os talentos que lhe dei? Sinto muito, mas não há lugar aqui para quem se omitiu e nada cultivou durante toda a vida.”

Desejo, sinceramente, que esta história sirva para a reflexão de todos nós, principalmente, aqueles que se julgam melhores que os demais somente porque, aparentemente, costumam cumprir preceitos religiosos. O próprio Jesus nos ensinou que quem quiser ser o primeiro deve ser o último, o servo de todos (Mt 20, 26-27). O nosso julgamento está nas mãos de um justo juiz (Mt 25, 31-46). Somente Ele pode nos condenar ou absolver. Tudo o mais é apenas vaidade humana. Se de alguma forma esta mensagem serviu a você, ou conseguiu visualizá-la em alguém muito próximo e querido, faço votos de que ela tenha serventia e ajude a reformular antigos padrões de avaliação face aos demais.

A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga e autora do livro “Buscando a Felicidade”.

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