A delegada seccional assistente Cláudia Garmes Alonso Armami requisitou ontem o envio do pronunciamento do vereador João Parreira, realizado na sessão da Câmara Municipal de Bauru no dia 15 deste mês, quando este apresentou fita com suposta existência de denúncia de propina na prefeitura.
O material gravado fará parte do inquérito policial aberto pelo empresário Antonio Roberto Palharim que, em depoimento, negou que tenha pago “pedágio” a um intermediário para receber seus créditos junto à administração, no final do ano passado. Na fita divulgada por Parreira, Palharim afirma que pagou 16,5% e recebeu o que faltava por um contrato de prestação de serviço de locação de máquina.
O crédito pendente no final de 2003 foi de R$ 49 mil, segundo a administração. O pronunciamento de João Parreira será encaminhado para degravação de conteúdo junto com as fitas que ele protocolou no Ministério Público (MP) relativas ao caso. Segundo a delegada, a perícia das gravações será feita pelo Instituto de Criminalística da polícia.
A perícia será realizada em diálogos gravados por Parreira em que ele conversa com os empresários Roberto Palharim e João Rays e o ex-secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto. Após a entrega dos laudos periciais, a delegacia vai começar a ouvir as pessoas e agentes públicos citados nas conversações.
Paralela à apuração criminal dos fatos, o promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, instaurou dois procedimentos para verificar se as denúncias ensejam ou não improbidade administrativa. A solicitação de perícia dos diálogos pela Seccional vai adiantar os trabalhos do promotor. Masseli poderá ouvir o material e iniciar os depoimentos ainda antes do recebimento do laudo.
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Reações internas
Dois dos quatro secretários municipais citados nas gravações por Raul Duarte, nos diálogos que manteve com o vereador Parreira, comentaram o fato. Os ex-colegas de Raul Duarte no governo, entretanto, devem interpelar o demissionário na Justiça para que este explique suas afirmações veiculadas nas gravações.
As fitas trazem Raul Duarte afirmando que estava sendo pressionado a deixar o cargo para que o grupo coordenado pelo vereador Dota Jr. (PTB), segundo Raul, ampliasse a influência sobre o governo. O grupo já ocupa as pastas de Administração (José Angelo Padovan), Saúde (Hanna Saab), Departamento de Água e Esgoto (Nilcéia Lourenço) e Obras (Jorge Monteiro).
Dota reagiu que não tem esse poder de influência alegado por Raul. Nilcéia Lourenço não quis se pronunciar sobre a citação de seu nome nas fitas e Hanna Saab também adotou o silêncio.
Padovan procurou minimizar os efeitos das declarações do ex-colega. “O próprio Raul fez a retificação do que havia declarado em uma reunião com todo o secretariado. Não há ingerência do partido no governo e o próprio Raul reconheceu isso e nos pediu desculpas. Não há esquema e o secretário afirmou que fez os comentários em situação de pressão e desabafo”, comenta.
Mas Angelo Padovan acrescenta que a gravação chocou. “Fiquei chocado e surpreendido, mas o secretário pediu desculpas e vamos avaliar o fato porque a administração tem que prosseguir”, conta.
O titular da pasta de Obras, Jorge Monteiro, afirma que não foi indicado pelo PTB e não defende grupo dentro da administração. “Quero acreditar que foi desabafo e se o foi trata-se de um comentário desastroso e infeliz”, sintetiza.