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ONG auxilia os funcionários da P2

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Os funcionários da Penitenciária 2 (P2) de Bauru e seus familiares ganharam um importante aliado para combater o estresse causado pelo cotidiano do presídio. Desde o final de outubro do ano passado, eles contam com apoio psicoterapêutico gratuito oferecido pela Organização Não-Governamental (ONG) Associação Crê-Ser, formada há um ano.

“O atendimento é feito diretamente em nossas clínicas. Contamos com oito psicólogos e terapeutas, além de fisioterapeuta, quiroprático e nutricionista. Os funcionários e seus dependentes escolhem o profissional e fazem o agendamento”, explica o presidente da ONG, terapeuta Sydney Meana.

Segundo ele, o benefício pôde ser oferecido graças a um convênio assinado com o Ministério da Justiça. “A organização recebe uma verba para prestar o serviço e nós oferecemos, em contrapartida, horas de voluntariado”, revela.

Embora o acompanhamento psicoterapêutico não seja obrigatório, Meana diz que a participação dos funcionários tem sido satisfatória. “Nós encaminhamos à direção do presídio um termo de adesão ao projeto e, no princípio, notamos uma certa resistência, mas depois percebemos que houve uma boa aceitação. Cerca de 75% deles aderiram de imediato”, calcula.

Ele afirma que esse percentual foi crescendo ao longo dos meses. “Na avaliação que fizemos, os resultados apontaram uma mudança positiva de comportamento dos funcionários e familiares. Houve uma reação em cadeia que incentivou a participação dos demais”, relata.

Problemas

O terapeuta comenta que o grupo que presta o atendimento encontrou um alto nível de estresse entre os funcionários do presídio e seus familiares. “Isso em razão do clima de tensão em que eles vivem. Muitos deles apresentam dores musculares, nas costas e nas pernas”, declara.

Ele explica que, nos casos mais graves, o acompanhamento é dividido em etapas. “Antes da terapia, fazemos a parte de relaxamento com o quiroprático e somente depois disso é que encaminhamos a pessoa para a segunda fase do trabalho”, detalha.

Apesar do convênio ter sido implantado há apenas cinco meses, o diretor de Reabilitação da P2, Luiz Fernando Alves, já vê avanços no comportamento dos funcionários. “O acompanhamento ajudou principalmente a quem estava mais estressado ou cansado. Deu para perceber que o pessoal que participou desse trabalho está mais relaxado”, analisa.

O acordo, válido por quatro meses, venceu no final de fevereiro, mas a ONG já enviou um novo projeto ao ministério para que ele seja renovado. Nesse intervalo, os custos estão sendo bancados pela Secretaria de Estado das Administrações Penitenciárias.

Segundo o presidente da ONG, outras unidades já demonstraram interesse em aderir ao convênio. “Recebemos consultas do CDP (Centro de Detenção Provisória), IPA (Instituto Penal Agrícola) e até da P2 de Avaré”, relata.

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Relaxamento

A auxiliar de serviços Ana da Silva Rodrigues foi uma das funcionárias da P2 a receber apoio psicoterapêutico da ONG Crê-Ser. “Foi uma ajuda que veio de encontro às nossas necessidades. No meu caso, estava em uma fase em que os lados emocional e físico estavam abalados”, relembra.

Depois do acompanhamento, ela afirma ter se sentido mais relaxada. “Foi uma grande diferença. Passei pelo quiroprático e fiz entrevistas com o terapeuta que me ajudaram bastante”, diz.

Ela se mostra favorável à expansão do projeto. “Ele é necessário não só para a gente, mas também para os colegas de outras unidades que passam pelos mesmos problemas”, opina.

A esteticista Zilda Guarnetti, cunhada de um agente penitenciário, também aprova a iniciativa da ONG. “Ele tem uma profissão muito estressante e que acaba afetando quem convive com ele no dia-a-dia. Minha irmã também faz o acompanhamento e, pelo que eu tenho sentido, ela está super feliz”, relata.

O tesoureiro do Sindicato do Complexo Penitenciário (Sindicop) de Bauru, Pedro Faria Lopes, considera que o apoio oferecido aos funcionários da P2 é extremamente importante. “Ele está sendo feito para beneficiá-los e, como lutamos pela melhoria das condições de trabalho, temos que aplaudir essa medida”, diz.

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