Bairros

Estudantes se arriscam nas caronas

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Todos os dias no início da manhã, após o almoço e no começo da noite, dezenas de universitários estendem os braços e levantam os polegares na tentativa de conseguir uma carona para as faculdades da cidade. Mas algumas situações colocam em risco a vida desses estudantes, que muitas vezes caminham pelo asfalto em ruas que não têm calçada. Os motoristas também precisam redobrar a atenção, já que muitos veículos têm que desviar dos pedestres ou param para dar carona.

Na rua Padre Francisco Van Der Maas por exemplo, na altura do Jardim Contorno, o movimento de veículos e pedestres em direção à Universidade Estadual Paulista (Unesp) aumentou bastante após a pavimentação. No local, muitos estudantes caminham pelo asfalto.

“O risco é muito grande. Os motoristas devem ficar atentos e os pedestres têm que evitar caminhar pela rua. É importante também alertar quem vai circular de bicicleta por estes caminhos. O ideal é procurar uma rota alternativa e evitar as rodovias”, alerta o major Pedro Batista Lamoso, sub-comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI).

A movimentação do período da manhã é igual nos momentos após o término das aulas e o motivo de todos é o mesmo: economia. Alguns jovens chegam a salvar mais de R$ 100,00 por mês optando pelas caronas ao invés do transporte circular.

A presença mais marcante é de caroneiros da Unesp, que se distribuem ao longo da avenida Nações Unidas e ruas adjacentes. Em outros pontos da cidade, ainda é possível avistar estudantes da Instituição Toledo de Ensino (ITE), que permanecem na avenida Rodrigues Alves e outras vias de acesso à Zona Oeste de Bauru.

A estudante Marisha de Oliveira Santos pega carona todos os dias na avenida Nações Unidas. “O ônibus está muito caro e o dinheiro que gasto em passe faz uma grande falta no final do mês, por isso, pego carona. Consigo economizar mais ou menos R$ 60,00”, diz.

Ela comenta que seus pais não sabem que ela vai para a aula com motoristas muitas vezes desconhecidos. “Mas eles não ficariam preocupados, porque as pessoas que dão carona são sempre as mesmas, são sempre estudantes”, aponta.

Já os pais de Lilian Cavalheiro demostraram preocupação quando souberam que a filha é caroneira. “Eu contei que pegava carona e eles ficaram muito apreensivos, mas eu expliquei que só pego carona com amigos e quando o carro do motorista está cheio. Quando ele está sozinho, não vou. Então, eles entenderam”, diz a estudante.

Organização

As amigas Amabile Guarnieri e Maíta Bechara pegam carona todos os dias no mesmo local, na última quadra da rua Ibrahim Nobre antes da avenida Nações Unidas. E o movimento de caroneiros é tão intenso que os próprios estudantes organizam uma fila, por ordem de chegada. “Conforme os carros vão parando, o pessoal vai entrando na ordem em que chegou aqui. Nunca tem problemas, o pessoal respeita a ordem e todo mundo acaba conseguindo carona”, explica Amabile.

Além de ir para a Unesp de manhã e voltar para o Centro na hora do almoço, as amigas ainda retornam para o câmpus à tarde, para participar de outras aulas e atividades. “Eu economizo muito pegando carona, porque pagaria R$ 1,45 em cada passagem e seriam quatro por dia. Minha economia passa de R$ 100,00 por mês”, observa Amabile.

É curioso observar que a maioria dos estudantes que aguardavam por carona nas proximidades da Nações Unidas era do sexo feminino. Todos os garotos com quem a reportagem do JC conversou tinham um esquema mais “organizado” de caronas.

Ao contrário das meninas, o estudante João Gabriel Contrucci não mantinha seu polegar levantado na Nações. “Eu deixo combinado com um amigo da minha sala, que passa por aqui e me pega todos os dias. A gente já fez as contas e eu chego a economizar R$ 40,00 por mês”, afirma.

Ele relata que o amigo motorista recebe uma contribuição dos caroneiros, entre R$ 10,00 e R$ 15,00 mensais, como uma ajuda de custo. “Como pegamos carona com ele todos os dias, a gente ajuda a pagar o combustível. Meu amigo não tira nada com isso, é só para rachar a despesa mesmo”, diz.

O major Lamoso orienta que os caroneiros - e principalmente as mulheres - devem sempre tentar pegar carona em grupo ou no mínimo em duas pessoas. “É mais aconselhável pegar carona sempre com outros universitários e evitar veículos de transporte de carga, como caminhões e caminhonetes. À noite, o pessoal também deve ficar em grupo e esperar pelos motoristas em locais iluminados ou em pontos de ônibus”, indica.

Segundo Lamoso, o melhor local para os estudantes conseguirem uma carona é próximo a pontos de ônibus ou em ruas com pouco movimento. “É um local de parada e os carros podem estacionar com maior segurança, sem atrapalhar o trânsito.”

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