Parte das escolas técnicas estaduais e faculdades tecnológicas da região, administradas pelo Centro Paula Souza, permanecia, até ontem, em greve por tempo indeterminado. A paralisação, que foi deflagrada no Estado no último dia 16 de fevereiro, completa hoje 40 dias. Na região, o movimento abrange unidades de Jaú, Botucatu, Garça e Ourinhos.
Na Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú, a greve contava até ontem com 100% de adesão dos funcionários técnico-administrativos e professores, de acordo com a representante do comando local, Adriana Mino Sichieri.
A medida está atingido diretamente cerca de 700 estudantes da faculdade, que completa hoje 23 dias de paralisação total. “Se o governo (estadual) não negociar conosco, não retornamos”, assegura Adriana. A categoria está reivindicando uma reposição de 72,22% referente a perdas salariais dos últimos anos.
Já em Botucatu, desde 19 de fevereiro, cerca de 88% dos professores mantêm as atividades suspensas na Escola Técnica Estadual (ETE) Domingo Minicucci Filho. Ontem à noite, os docentes iriam se reunir para discutir a manutenção, ou não, da greve. Segundo o professor Manoel Carlos Gomes, coordenador do curso de eletrônica e eletrotécnica, cerca de 800 alunos estão sem aulas.
Na Fatec de Ourinhos, 66% dos docentes aderiram à paralisação no início deste mês. De acordo com o professor de processamento de dados Rogério Lazanha, desde então, cerca de 1.000 estudantes estão sendo atingidos. Ele afirma que os professores têm discutido diariamente os rumos do movimento, entretanto até ontem não havia previsão de retorno das aulas.
Na ETE Jacinto Ferreira de Sá, de Ourinhos, que atende a 800 alunos, 57% dos professores e um funcionário técnico- administrativo estão paralisados. Já na ETE Monsenhor Antônio Magliano, de Garça, a adesão ao movimento está sendo mais modesta: 25% dos professores continuavam em greve até ontem e 240 alunos do curso de mecânica e eletrônica estão sem aulas.
Na região, as ETEs de Jaú, Barra Bonita, Cafelândia, Marília, Vera Cruz, Ipaussu, Cabrália Paulista e São Manuel não aderiram ao movimento. O mesmo ocorreu com as Fatecs de Botucatu e Garça, que foram inauguradas recentemente.
Reposição
De acordo com a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público Estadual, Técnico, Tecnológico e Profissional do Estado de São Paulo (Sinteps), Silvia Elena de Lima, a reposição salarial de 72,22% - reivindicada pela categoria - corresponde aos valores definidos pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que não foram repassados aos funcionários das ETEs e Fatecs.
Como o Centro Paula Souza é uma autarquia de regime especial associada e vinculada a Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Sinteps entende que o índice de reajuste dos funcionários deve seguir a política salarial definida pelo Cruesp, o que não estaria ocorrendo desde maio de 1996. “Nós estamos pedindo apenas o cumprimento da nossa política salarial, que é o índice do Cruesp”, defende.
Ela afirma que até ontem não existiam negociações entre os grevistas e o governo estadual. “A greve permanece por tempo indeterminado. Nós realizamos hoje (ontem) pela manhã uma reunião do comando central (de greve) e o posicionamento foi esse”, afirma.
O Sinteps afirma que em todo o Estado a paralisação atinge mais de 60% da categoria, o que representa a adesão de aproximadamente 3.600 profissionais. A estimativa do sindicato é de que cerca de 60 mil alunos estejam sendo atingidos pela greve.
Já o Centro Paula Souza, em nota divulgada pela assessoria de imprensa, afirma que 31% das unidades estariam com as atividades interrompidas. Segundo a nota, das 105 escolas técnicas do Estado, apenas 33 estariam parcialmente paralisadas. Em relação às Fatecs, cinco das 17 unidades estariam sem aulas, de acordo com a assessoria.
Quanto a reivindicação de reposição salarial, a nota afirma que em 1998 os docentes tiveram 10% de reajuste e em 2002, 5%. “O Estado está no limite de gastos com pessoal, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (de âmbito federal), que impede a aprovação de novos aumentos salariais”, diz o texto.
____________________
Infra-estrutura
Na Fatec de Jaú, além da reposição salarial, de acordo com a representante do comando de greve local, Adriana Mino Sichieri, os funcionários também reivindicam melhor infra-estrutura para a unidade.
“Foi inaugurado recentemente mais um bloco na faculdade, dobrou-se o número de alunos, mas o governo não investiu em infra-estrutura para receber esses novos alunos”, afirma.
O presidente do diretório acadêmico e estudante do curso de Navegação Fluvial da unidade, Adriano Rosselli de Rezende, admite que os alunos estão sendo prejudicados pela greve. “As férias de julho já foram comprometidas. E muitos alunos estão com medo de perder o semestre”, diz.
Apesar disso, ele conta que a maior parte dos estudantes está apoiando o movimento. “É preciso melhorar a infra-estrutura da faculdade, porque está tudo precário e ultrapassado”, afirma. “As condições de ensino estão precárias, tanto em termos materiais quanto em relação ao incentivo salarial dos professores”, destaca.
Para esta segunda-feira, os grevistas da Fatec de Jaú estão programando uma carreata pelas ruas da cidade, em favor do movimento. A manifestação deve ser finalizada na Câmara Municipal.