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Ferrovia terá R$ 80 mi para reforma

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A concessionária Brasil Ferrovias assinará, na próxima quinta-feira, um contrato no valor de R$ 80 milhões com a empreiteira Odebrecht para a recuperação do trecho ferroviário de 1.300 quilômetros que liga Bauru a Corumbá (MS). As obras devem ter início no dia 19 de abril e têm como finalidade tornar mais ágil o transporte de cargas entre as duas cidades.

Segundo informações da assessoria de imprensa do governo do Estado de São Paulo, serão investidos R$ 30 milhões no trecho entre Bauru e Três Lagoas (MS), na divisa com o Mato Grosso do Sul, e outros R$ 50 milhões desse ponto até Corumbá. A previsão é que os trabalhos estejam concluídos até novembro.

A restauração da malha ferroviária visa, ainda, encurtar o tempo gasto para transportar cargas do porto de Santos até o de Antofogasta, no Chile. O percurso de 4,3 mil quilômetros é feito, atualmente, em 15 dias e a expectativa, com as reformas, é diminuir esse prazo para pelo menos 11 dias.

A ligação com o porto chileno é considerada um atalho importante para escoar produtos como soja, carne e aço para o mercado asiático.

O coordenador do Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, afirma que os investimentos no trecho Bauru-Corumbá são importantes, mas não resolvem o problema do sucateamento do sistema ferroviário no País.

Para ele, a recuperação das ferrovias depende um projeto mais amplo, que possa ser realizado a médio e longo prazos. “Não adianta apenas repor dormentes e trilhos. Precisamos começar a repor o quadro de funcionários e restaurar as instalações para o serviço de manutenção”, opina.

O sindicalista acredita que a deteriorização do sistema ferroviário está diretamente ligada à privatização do setor, em 1996. “Naquela época, quando a infra-estrutura, equipamentos e o quadro de funcionários eram razoáveis, se os operadores privados tivessem feito os investimentos necessários, teríamos dado um salto de qualidade. Ocorreu o contrário, ou seja, eles consumiram a capacidade instalada que havia e criaram uma crise brutal do sistema”, analisa.

Solução provisória

Ferreira lembra, porém, que a restauração do trecho entre Bauru e Corumbá servirá, ao menos, para amenizar os problemas encontrados ao longo da linha, como a erosão localizada no Jardim da Grama, na altura da quadra 3 da avenida Manoel Monteiro, em Bauru.

A erosão, que avança há mais de um ano, chegou a interromper uma das linhas da Novoeste, empresa administrada pela Brasil Ferrovias. O tráfego de trens precisou ser desviado para uma linha auxiliar. “O que era para ser temporário virou permanente”, critica o sindicalista.

Ontem à tarde, funcionários da Novoeste trabalhavam no local realizando serviços prévios que permitirão a reforma do trecho, como a retirada de alguns trilhos.

Contrato

A assinatura do contrato para restauração da ferrovia Bauru-Corumbá deverá contar com as presença dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT (PT). O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), acredita que o anúncio da reforma veio em boa hora. “Trata-se de uma obra que é de interesse maior da sociedade”, comenta.

O acordo será firmado no Mato Grosso do Sul, durante a cerimônia de inauguração da termelétrica que utilizará gás boliviano para produzir energia no Estado.

O diretor do escritório da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) em Bauru, Paulo Brites, afirmou que ainda não foi comunicado sobre a restauração e, por isso, preferiu não opinar sobre o assunto. Já a assessoria de imprensa da Novoeste não forneceu as informações solicitadas pela reportagem.

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