Mulher

Fios prêt-a-porter

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 7 min

O que será moda nos cabelos em 2004? Muitas tendências, produtos e técnicas foram apresentadas esta semana em São Paulo. Quase 45 mil profissionais, incluindo uma caravana de Bauru, reuniram-se na 3.ª edição da Hair Brasil - Feira Internacional de Beleza, Cabelos e Estética, em São Paulo, que vem se confirmando como o maior evento do País no segmento.

A Hair Brasil foi uma grande vitrine da beleza com centenas de lançamentos, mas, paralelamente, à sua realização uma série de workshops e quatro grandes congressos: o 3.º Congresso Internacional Intercoiffure Brasil (com megashows das marcas e redes de salões) 3.º Congresso Internacional de Estética Aplicada, o 3.º Campeonato Brasileiro Hair Brasil (cabelo, maquiagem e manicure) e o 2.º Congresso Brasileiro de Manicures, que levaram a milhares de profissionais informação novas técnicas e dicas para o aprimoramento no dia-a-dia.

A rede de salões de beleza Jacques Janine fez o show de abertura da Hair Brasil 2004. O megashow preparado por cinco equipes de profissionais foi baseado no espelho e na releitura de gravuras do artista francês Hervé Boudon, que fez recente exposição no Museu de Arte e Moda de Paris.

“Foi durante essa exposição que nos apaixonamos por seus belos desenhos”, disse Janine Goossens, diretora da rede, através de sua assessoria de imprensa.

Para dar uma leitura de moda, Janine convidou o maquiador Duda Molinos para a concepção da apresentação.

O show apoteótico que ditou as tendências vistas durante o evento foi dividido em cinco blocos: cabaré, que retratou a sensualidade das mulheres do século passado, com cabelos vermelhos e corselets; modernistas, trazendo os looks das mulheres da década de 20, com cabelos crespos e muitas pérolas; dandi , que remeteu a um lesbian chic: a mulher com atitudes masculinas, cabelos curtos e muitas pérolas; Japão tecnológico, num mix entre a tradição das gueixas e a tecnologia do mundo do futuro, onde as pessoas terão que usar acessórios para se proteger.

Ainda na abertura, o hair style Manno Escobar trouxe para o palco da feira cabelos ondulados, cacheados, desconectados e desfiados. Cores fortes como laranja e tons de vermelho combinavam com cortes e penteados ousados. Em todos os modelos, ousadia, sensualidade e a criatividade do cabeleireiro marcaram presença.

A equipe Intercoiffure Brasil apresentou a coleção “Imagination”, com a criação de modelos, caracterizados pela assimetria, versatilidade e tendência da harmonização entre corte e coloração.

A nova coleção também prioriza o feeling do profissional em interagir para analisar o perfil do cliente e avaliar quais cores e cortes são mais adequados para dar um visual de acordo com a personalidade.

A Taiff, que lidera o segmento de secadores profissionais no País, abriu o segundo dia na Hair Brasil. Os profissionais do L’Equipe promoveram uma verdadeira festa no palco da feira com 20 looks femininos, mostrando penteados irreverentes, cabelos cacheados, ondulados, desfiados ou mesmo supercompridos com tranças até a cintura, mas com uma coisa em comum: todos deixavam as mulheres mais bonitas e sensuais. No masculino, até os modelos mais tradicionais lembravam os cabelos dos punks de Nova York.

A equipe do salão Beka International apresentou as novas tendências de cortes para o público teen. Cortes clássicos, modernos, com a mistura dos dois estilos marcam a tendência 2004 para os adolescentes. Os cabeleireiros mostraram vários modelos com as tonalidades bronze, malva e açafrão, que serão a sensação da moda outono/inverno deste ano.

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100 anos de moda

O cabeleireiro gaúcho Hugo Moser levou para o palco da Hair Brasil uma retrospectiva dos últimos 100 anos de moda, destacando os principais movimentos e tendências em corte, penteado e maquiagem de cada década. Com criatividade e riqueza de detalhes, retratou as atitudes, costumes e postura das mulheres de cada época na passarela e num guia cronológico a seguir:

1900 - 1909 - Belle Époque - Mulher-ampulheta, esbelta e elegante, apertada na cintura com espartilho que realça peitos e bumbum. A pele é pálida, com um leve tom rosado, imitando as adolescentes. As sobrancelhas são naturais. Ostentam coques, cabelos enrolados ou trançados sobre a nuca ou no alto da cabeça, presos com grampos e prendedores de chifres ou brilhantes.

1910 - 1919 - As mulheres turcas usam henna para delinear olhos; as mulheres do deserto, sensuais e tórridas, inspiram a imagem da vamp, sedutora, narcisista e impiedosa com os pretendentes. A boca é fina e pintada de vermelho escuro, e os olhos são enegrecidos com kajal. Os espartilhos desaparecem e as saias começam a encurtar.

1920 - 1929 - A década é marcada pela audácia e pela busca da emancipação feminina. O tipo de mulher a lá garçonne desponta, com cabelos curtos e fumando em público. O estilo Art Decó inspira móveis, objetos, jóias e também a moda. As saias chegam aos joelhos, a magreza andrógina está em alta. Louise Brooks inspira o corte do cabelo reto bem acima da linha da sobrancelha. Na maquiagem, blush nas faces e cílios muito curvados.

1930 - 1939 - A mulher deve ser magra, mas não masculinizada. Na cabeça, gorros, chapéus redondos ou em forma de sino e prato são usados para a frente. A maquiagem adquire aspecto individual, em formatos de escultura clássica: sobrancelhas reduzidas e arqueadas, às vezes totalmente depiladas. Rímel, pestanas falsas e vaselina para dar brilho à maquiagem dos olhos, rouge nas faces, lábios desenhados, destacando a parte superior. Desaparecem os cabelos capacete e as franjas, os cabelos voltam a crescer e são usados em ondas, preferencialmente na cor loira.

1940 - 1949 - Segunda Guerra Mundial. Entre 41 e 45, as roupas austeras tornam-se um pouco mais militares. Cabelos e maquiagem também são influenciados pela guerra. A forma das sobrancelhas é levemente curva e discreta. A boca é o mais importante, bastante maquilada. Nos filmes, usa-se cabelos compridos. A estrela é Verônica Lake, com uma cabeleira loira, abaixo dos ombros e ligeiramente ondulada, dando o glamour que compensa a falta de pele e jóias.

1950 - 1959 - Última grande década da alta costura, com Cristian Dior à frente de todos os costureiros. As sobrancelhas são mais claras e largas, a boca é de boneca, como Brigite Bardot. Mudanças constantes na cor dos cabelos, que são lisos ou ondulados curtos e até os ombros. Usa-se muito laquê, orelhas à mostra e sempre enfeitadas. Na cabeça, lenços para proteger o penteado. Arquétipo dos anos 50: cabelos armados com laquê, delineador (olho de gazela) e unhas vermelhas.

1960 - 1969 - Marcado pela conquista do espaço, minissaia, feminismo, flower power e pelo movimento hippie. O ideal da década é uma ninfa magra e atrevida em fase de experimentação da sua sexualidade. A maquiagem é natural, sem nada na pele e na boca, mas com os olhos carregados. As mulheres trocam a minissaia, os cabelos curtos, as meias de naylon e as botas de couro por sandálias sem meias, longas vestes e grandes cabeleiras desgrenhadas.

1970 - 1979 - Início da década de 70 traz as flores nos cabelos, sandálias nos pés e o idealismo dos jovens hippies dos anos 60. Aos poucos, surgem as solas de plataforma, calças boca de sino e camisas de poliéster, vestuário brilhante para a discoteca, retro-kitsch e future-punk, num movimento cíclico de experimentação, mistura, repúdio e recuperação. Cabelos compridos para os homens, afro para os negros, penteados armados e encrespados, despontando o black power. A moda dos cortes à navalha cria verdadeiras esculturas nas cabeças. Jubas volumosas e cortes geométricos convivem pacificamente.

1980 - 1989 - Estabelece-se a época punk, com penteados de cabelo em pé e look moicano integrando as coleções de moda. As mulheres vivem novamente a febre do romântico. Madonna desponta como ídolo pop na música. Explode a onda da aeróbica, e a lycra influencia também a moda. A partir de 85, o espírito party começa a ser substituído pela preocupação com a Aids, a consciência ambiental e, no final da década, as turbulências políticas.

1990 - 1999 - Década da globalização, acabam-se as fronteiras. Na moda, o estilo básico passa a vigorar. Na passarela, o luxo se traduz nos materiais utilizados. No início dos anos 90, voltam influências dos anos 60 e 70. A tecnologia está muito presente e transforma rapidamente a vida nesta década.

2000 - Inspirada no estilo rebelde e extravagante do inglês Alexander Mcqueen, a mulher-lagarto absorve os elementos à sua volta e se transforma. Ainda na esteira da globalização, mistura um pouco de cada época, mas com um estilo voltado ao cosmopolita. É o futurismo tecno.

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