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Violência gera estresse pós-traumático

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Quem está com dificuldades para dormir, desperta sobressaltado, tem lembranças constantes de um fato ocorrido em sua vida, vive em estado de alerta como se de repente algo ruim fosse acontecer, pode estar sofrendo de Transtorno do Estresse Pós-Traumático, uma doença psicológica resultante de situações onde a própria vida ou de pessoas próximas foi ameaçada.

A doença, anteriormente conhecida como Neurose Traumática, recebeu esse nome após a Guerra do Vietnã, quando cientistas americanos se debruçaram sobre o problema, tentando entender porque ex-combatentes se comportavam como se ainda estivessem em guerra.

O Transtorno do Estresse Pós-Traumático é uma doença típica do mundo moderno e o número de pessoas afetadas é maior do que se pensa. Estima-se que para cada pessoa ferida ou morta por causas violentas, incluindo acidentes, um círculo que extrapola o âmbito familiar e se projeta por amigos, colegas, vizinhos e parentes seja atingido e passe a sofrer do mal.

Os psicólogos, professores e pesquisadores do assunto, Othon Vieira Neto e Cláudia Maria Sodré Vieira acreditam que para cada pessoa ferida ou morta, outras quatro são afetadas pela doença psicológica. “No Brasil, não há pesquisa. Nos Estados Unidos, a incidência desse transtorno em pessoas que sofreram situações de violência, ou são próximas a estas pessoas, é de cerca de 20%.”

Os professores alertam para o pouco conhecimento dos profissionais de saúde com relação ao assunto. “A falta de informação pode provocar um equívoco no diagnóstico. O transtorno pode ser confundido com ansiedade, depressão e fobia. O pouco conhecimento dos profissionais em diagnosticar a doença pode levar ao agravamento dela”, dizem.

Há cinco anos, de acordo com eles, um levantamento da Fundação Seade apontou que, em São Paulo, 900 mil pessoas foram vítimas de violência. “O que leva a projeções nada otimistas. Infelizmente, como permanecem os fatores que predispõem os indivíduos a praticarem atos violentos, é necessário que, através dos serviços públicos de saúde, a população, principalmente a mais exposta a esse quadro, saiba que essa doença existe, quais são os seu sintomas e que o mal é tratável”, alertam.

A falta de conhecimento dos profissionais, segundo os pesquisadores, não ocorre só no Brasil. “Na Argentina, os médicos se surpreenderam com a incidência da doença e a partir de informações mais específicas, passaram a observar mais.”

As dificuldades no diagnóstico, lembram os professores, ocorrem também porque o paciente não relaciona a causa com o efeito. “A vítima procura ajuda de profissionais de saúde depois de algum tempo do fato e acaba não relacionando o transtorno com os sintomas. Muitos não lembram nem de citar que passou por uma perda, por um assalto ou seqüestro.”

O Transtorno do Estresse Pós- Traumático não acarreta doenças físicas diretamente, mas pode afetar especialmente o estômago, dizem os psicólogos. “Através de uma gastrite, por exemplo. A ansiedade pode gerar essa doença.”

Tratamento

O Transtorno do Estresse Pós-Traumático é uma doença psicológica tratável, garante o professor Othon Vieira. “É tratada por psicólogos com psicoterapia específica. É uma terapia breve, porém não a comum, porque as causas são diferentes e exigem tratamento diferenciado.”

Ele explica que após cerca de dez sessões, a vítima ou a pessoa próxima dela, consegue voltar a viver como antes. “Eu fiz uma pesquisa com funcionários do Banco do Brasil da Capital e observei que o principal sintoma é a dificuldade em dormir ou em manter o sono e que a doença é tratável. ”

Principais sintomas

* lembrança constante da situação traumática

* medo que a situação se repita

* hipervigilância

* reação de forma intensa a barulhos e esbarrões

* sensação de fragilidade e aumento de freqüência ao médico

* sentimento de culpa

* irritabilidade e alteração na capacidade de concentração e memória

* apatia e isolamento social voluntário

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