Regional

Região é rica em patrimônio histórico

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Patrimônio histórico e cultural é um bem, uma riqueza da humanidade. Preservá-lo é garantir a sobrevivência da identidade de um povo. No Brasil, onde as injustiças sociais são tantas, a preservação fica em segundo plano, mas é sempre bom lembrar que preservar o patrimônio não é nenhum luxo, mas uma necessidade para manter a nossa nacionalidade.

Na Europa, a preservação do patrimônio histórico e cultural é tida como uma obrigação. Nesse ponto, os brasileiros ainda têm muito a aprender, pois há obras de beleza inigualável que não estão na lista dos tombados. Na edição anterior, o JC Regional apresentou as leis que regem o setor e algumas obras já preservadas. Nesta edição, vai mostrar outros patrimônios tombados.

Na região de Bauru há muito a se conhecer, obras que já foram preservadas, mas há também muita coisa a ser feita nesta área. Prédios que retratam uma época, obras de pintores famosos e usinas desativadas fazem parte do acervo tombado.

Para quem não sabe e gosta de apreciar uma obra de arte, em Bocaina (69 quilômetros a Nordeste de Bauru), mais exatamente na Igreja Matriz de São João Batista, é possível conhecer as 13 primeiras telas pintadas pelo renomado pintor Benedito Calixto. As telas foram tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat).

Em Brotas (100 quilômetros a Leste de Bauru), a capital do Esporte Radical, há uma usina hidrelétrica desativada que conserva toda a estrutura, inclusive o canal adutor construído em madeira com cintas de ferro, solução encontrada para confeccionar a tubulação, substituindo o aço em plena guerra.

A usina construída por cafeicultores começou a gerar energia em 1911, levando progresso à cidade e região. O local pode ser visitado por turistas que vão ter o privilégio de conhecer não somente a usina e a barragem, mas também que apreciar o caminho na mata fechada, com inúmeras nascentes de água pura e despoluída.

Na vizinha Agudos (15 quilômetros a Sudeste de Bauru) é possível conhecer o cine-teatro construído em 1910 por iniciativa de uma mulher. A sala de espetáculo foi tombada pelo município, que quer preservar a história. Já a escola “Coronel Leite”, da 1.ª República, foi preservada pelo Condephaat.

A tradicional escola pública foi chamada inicialmente de “Grupo Escolar de Agudos” e começou em escolas isoladas localizadas em vários pontos da cidade. Mais tarde, o governo estadual resolve reuni-las em um só local e, para isso, construiu o imponente prédio localizada na rua 13 de maio, área central da cidade. A construção data de 1913.

A história menciona que no final do século XIX o governo do Estado de São Paulo adotou uma política de construção de escolas de nível primário, através da Superintendência de Obras Públicas, com o objetivo de reduzir o analfabetismo no início do período republicano.

As edificações eram primorosas, com materiais muitas vezes importados, e ricamente ornamentadas, cujos projetos ficaram a cargo de vários arquitetos dentre os quais se destacam Ramos de Azevedo, Victor Dubugas, José Van Hubeech e Manuel Sabater.

Pelo alto valor histórico e pela excelente qualidade dos projetos, o Condephaat aprovou por unanimidade o tombamento dessas escolas da 1ª República.

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