31 de março de 1964. Há 40 anos eclodia no Brasil um movimento revolucionário que recebeu o nome de golpe militar, com deposição do então presidente João Goulart, passando o país a ser governado por oficiais militares, dando seqüência a um período de mais de 20 anos, com forte repressão aos comunistas e seus seguidores que se insurgiram contra o novo regime.
A propósito dessa importante data, que muito influiu nos destinos da pátria, transcrevo nesta democrática Tribuna do Leitor, o seguinte depoimento de Pedro Cândido Ferreira Filho, de Belo Horizonte, publicado na revista Veja, de 19/11/03, pag. 26: “A Revolução de 64, para os que viveram aqueles tempos, tinha grandes e nobres objetivos: derrubar o presidente da República, exterminar o comunismo e democratizar nosso país. O primeiro objetivo foi cumprido sem que um único tiro fosse disparado. O segundo foi muito mais difícil. Para o Movimento Comunista Internacional (MCI), a implantação do comunismo aqui tinha alta prioridade, já que, uma vez comunizado nosso país, os nossos vizinhos teriam o mesmo destino, a Guerra Fria se desequilibraria pró-URSS e, possivelmente, o Muro de Berlim estaria em pé até os dias de hoje. Por isso, com orientação e apoio externos, o Brasil enfrentou ações de guerra revolucionária: três focos de guerrilha rural e ações de guerrilha urbana.”
Num outro depoimento de Cesar Romero Galardo, de São Paulo, publicado em O Estado, de 23/12/03 em “Forum de Debates”: “Vala. Lendo as sábias palavras de Jarbas Passarinho (O Exército de ontem, hoje e sempre, 16.12, A2), atrevo-me a acrescentar que, passados 40 anos, depois de tantos sacrifícios e esforços, eis que nos vemos na mesma vala novamente. Vala que temos como companhia a prevalência dos hipócritas, dos terroristas e dos subversivos. Vala em que os derrotados de ontem nos obrigam a pagar polpudas indenizações de milhões de reais. Enquanto isso, o Fome Zero não sai do papel. O destino tem sido cruel com o povo brasileiro.”
Para completar, o 3.º depoimento de José Ávila da Rocha, de S. Paulo, publicado no mesmo jornal e mesma data: “Comunismo que não houve. O Estado publicou em 18/12 diversas cartas de leitores revoltados com as promoções e ressarcimentos com os quais este governo vem premiando terroristas, assassinos, assaltantes de bancos, seqüestradores etc., como se fossem heróis que lutaram para derrubar uma ditadura e implantar uma democracia. A mídia não mostra que, na verdade, foram traidores da pátria, uma vez que, financiados e treinados pela URSS sob a égide do PCUS, obviamente, iriam colocar uma ditadura comunista alienígena com o Brasil na órbita da URSS. Quais as verdadeiras intenções dessa gente que está em todo o governo a fustigar tanto as famílias de suas vítimas desde a intentona de 1935?”
Diante dessas manifestações de fatos da história que não foram amplamente revelados, quem quiser que tire as suas conclusões, avaliando os méritos das partes antagônicas, sobre quem realmente defendeu a democracia, se os comunistas ou os militares? (Dorival Cury - RG 2.399.643)