Quem sofre diretamente com a falta de áreas verdes nos bairros de Bauru são os moradores. Eles reivindicam praças e bosques que, além de propiciar benefícios ambientais, seriam utilizados como áreas de lazer.
A comunidade do Parque Vista Alegre solicita há anos que um terreno abandonado do bairro seja transformado num bosque para atender às necessidades dos moradores.
A área, que se estende por algumas quadras da alameda Flocos, é repleta de árvores e outros tipos de plantas, mas está ameaçada pela ação de pessoas que jogam lixo e entulho no local.
“Queríamos fazer como o bosque da Vila Universitária. Com trilha para caminhada e área para crianças. O terreno é grande, mas virou depósito de lixo”, reclama o morador Michel Miguel.
Ele afirma que desde 1997 a associação de moradores do bairro tem encaminhado ofícios à prefeitura pedindo a urbanização da área. A Câmara Municipal também teria sido acionada, mas ninguém tomou providências ou deu posicionamento aos moradores sobre a situação.
Michel conta que a Associação de Moradores do Parque Vista Alegre cuida da manutenção das três praças do bairro. Ele afirma, entretanto, que os moradores não dispõem de espaço para prática de caminhada ou outros esportes.
“As praças estão em boas condições graças aos moradores e comerciantes. Eles estão bastante conscientes”, frisa Michel.
No Parque Santa Edwirges, há cinco pequenos terrenos destinados à criação de praças, mas que ainda não foram urbanizados. Outros, com boa localização, foram utilizados para construção de escolas.
“Queríamos uma praça no meio do bairro, mas o terreno já foi utilizado. Agora, temos cinco áreas abandonadas - sem guias e sem urbanização”, reclama Vivaldo Pereira da Silva, presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges.
A prioridade para os moradores é que o terreno da quadra 16 da rua Paulo Frontin seja transformado em praça. Seria uma opção para adultos e para crianças, que têm de brincar nas ruas por falta de alternativa. “Não temos nenhum banco para sentar. Não tem opção. Ficamos amarrados”, enfatiza Vivaldo.
Sem opção
Na Pousada da Esperança, a situação é crítica. Não há praças no bairro e nem terrenos destinados à criação delas. Um dos terrenos que deveria ter sido transformado em praça hoje é um bolsão de entulho.
De acordo com Eva Pereira Brandão, vice-presidente da associação de moradores do bairro, uma enorme erosão também é apontada como área verde.
“Foi falha da prefeitura no loteamento. Mas temos ainda o sonho de transformar a erosão num local com equipamentos de esporte e lazer, como campo de futebol e pista de skate. Faz muita falta para moradores. O povo não tem condições de pagar lazer. Não temos nem passe de ônibus para ir ao zoológico”, argumenta Eva.
No Parque Jaraguá, o cenário é semelhante. A moradora Cristina Batista afirma que não há praças. Uma grande área no fundo de vale que poderia ser transformada em área verde foi ocupada por uma favela.
“Essas áreas de lazer fazem falta. Elas deixariam a vila mais bonita, se bem cuidadas. Tem muitas praças na cidade cheias de mato, com bancos quebrados, sem iluminação. É comum na cidade”, observa.
Cristina destaca que não há opções de lazer para a comunidade. “Não tem nada no bairro. O pessoal fica na rua. As crianças jogam futebol nas ruas de terra. Não tem segurança nenhuma”, diz.
A moradora é mãe de um menino que costuma brincar com colegas na rua. Ela diz que a preocupação é constante. “Os carros passam em alta velocidade. Fico preocupada. Tenho que ficar sempre olhando. O dia inteiro olhando e dando conselhos”, revela.
Cristina não mostra otimismo. “Acho que aquilo ali não tem solução. É um bairro muito carente. Não teria onde colocar praça”, avalia.