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Caminhada encerra eventos do Dia Mundial da Água

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Encerrar de maneira diferente as atividades relativas ao Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, e despertar a atenção da sociedade sobre os principais problemas locais e mundiais relativos ao tema. Estes foram os objetivos da Caminhada das Águas, iniciativa organizada ontem de manhã pelo Instituto Ambiental Vidágua.

Mesmo com público reduzido - cerca de 40 pessoas -, a caminhada saiu do estacionamento do supermercado Confiança Max e percorreu algumas das principais ruas da cidade, como a avenida Getúlio Vargas e a alameda Octávio Pinheiro Brisola, em direção ao ponto final do trajeto: a avenida Nuno de Assis, às margens do rio Bauru.

No local, além de efetuarem discussões a respeito dos recursos hídricos da cidade, os participantes e membros do instituto analisaram a qualidade da água do rio Bauru. Os resultados foram alarmantes e, segundo o ambientalista Rodrigo Agostinho, concluíram pela classificação “péssima”.

“O nível de oxigênio era próximo de zero e o de amônia atingiu cerca de 20 miligramas por litro, um valor altíssimo. O pH também encontrava-se levemente alcalino, o que demonstra a presença de substâncias como detergentes e sabões. Apesar disso, eram números já esperados por tratar-se de uma água que recebe esgoto”, considera Agostinho.

Para ele, a caminhada é uma forma de alertar a sociedade sobre os principais problemas mundiais e bauruenses relativos à água. Em âmbito local, Agostinho ressalta que a situação é complicada em alguns aspectos. “O rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 42% da cidade, está morto”, critica.

Além disso, o ambientalista prevê um futuro sombrio à cidade em relação ao abastecimento. Segundo Agostinho, Bauru corre o risco de ficar sem água diante da necessidade cada vez maior de se obtê-la em níveis profundos. “É uma realidade que preocupa”, alerta.

Kláudio Cóffani Nunes, presidente do Instituto Ambiental Vidágua, complementa que, no Brasil, o desperdício de água chega a 70% nas residências, sendo que até 80% do consumo de água residencial é gasto no banheiro, onde as válvulas de descarga são vilãs ainda maiores que as torneiras.

Entre os poucos bauruenses que se dispuseram a participar da caminhada, as amigas Célia Ribeiro e Claide Roos eram as mais empolgadas. Para elas, integrar a iniciativa trouxe um duplo benefício. “Um deles é para saúde, pois andar faz bem”, destaca Claide. “O outro é conscientizar as pessoas que a água é um bem precioso demais para ser maltratado e desperdiçado”, reforça Célia. Para ela, a realidade do líqüido no planeta já atinge níveis de calamidade pública.

Problema mundial

As participantes da caminhada não exageram em suas declarações. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já há falta de água em 48 países, situação que pode piorar ainda mais até 2025, ano em que o órgão estima que o mesmo número salte para 80 nações.

As estatísticas negativas não páram por aí. Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que a falta de água mata 5 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, índice que perfaz a assustadora média de 190 mortes a cada 20 minutos no Planeta.

E, segundo o ambientalista Rodrigo Agostinho, 1,2 bilhão de pessoas - cerca de um quinto da população da Terra - não têm acesso à agua e sofrem com as conseqüências disso. “Elas ficam expostas a uma quantidade enorme de doenças. Estatísticas oficiais dão conta que 250 milhões de pessoas ficam doentes todos os anos devido à ausência de água em suas vidas”, conclui.

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