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Hospital Estadual vai educar contra queimadura

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Os acidentes domésticos com crianças ou adultos são os maiores geradores de queimaduras. Eles preocupam os profissionais de saúde e podem causar seqüelas irreversíveis. Para que o número de vítimas de queimaduras seja cada vez menor, os profissionais que vão trabalhar na Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual “Arnaldo Prado Curvelo“ pretendem educar a população. Anteontem, eles participaram do 1º Encontro para Aperfeiçoamento e Integração de Profissionais da área de atendimento Multidisciplinar ao Queimado. No encontro, foi discutida a padronização do atendimento primário.

O coordenador da unidade, cirurgião plástico e professor assistente do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp)de Botucatu, Aristides Palhares Neto, explica que a queimadura envolve um grau muito variável de gravidade. “A maior parte dos pacientes tem gravidade pequena. Eles podem ser tratados na própria cidade do fato, não é necessário trazer até o hospital. Por isso estamos preparando o nosso corpo de profissionais.”

Exemplo desse tipo de acidente é quando alguém derrama café sobre a mão. “É uma queimadura que levanta algumas bolhas e dói muito. Pode ser tratada em qualquer hospital por um médico bem formado e bem orientado. Para esses casos, nós estamos orientando os médicos como deve ser feito o tratamento.”

Nos casos de maior gravidade, segundo o médico, é preciso um atendimento inicial no local dos fatos para posterior transferência. “São casos em que mais partes do corpo estão acometidas, uma superfície corpórea maior ou com uma profundidade maior.”

Esses acidentes requerem que o paciente seja transferido para a unidade de Bauru que vai atender 38 municípios que compõem a Diretoria Regional de Saúde (DIR/10). “Eles receberão o primeiro atendimento no local e serão transferidos. Por isso, estamos fazendo o curso para que todos estejam preparados para fazer um correto acompanhamento e uma correta transferência.”

A unidade de queimaduras, informa o cirurgião plástico, tem 17 vagas, 13 leitos de enfermaria e quatro de UTIs. Na própria estrutura física tem salas de curativo, centro cirúrgico e toda a estrutura necessária para atender o queimado adequadamente.

Queimadura evolui

Um atendimento não adequado no primeiro momento pode acarretar seqüelas, explica Palhares Neto. “A queimadura é uma doença que evolui se não tratarmos, não impedirmos que continue progredindo.”

Isso implica em mais seqüelas, em dificuldade no acompanhamento e mais custos. “Por tudo isso nós estamos treinando os profissionais para evitar o aumento de custo, o aumento de seqüela para que sepossa ter os melhores resultados possíveis.”

Água é o melhor remédio, afirma cirurgião plástico

A água pura é o primeiro e melhor remédio para a queimadura no momento do acidente, ensina o coordenador da unidade do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Aristides Palhares Neto. “O certo é limpar a área queimada com água. Não cobrir com nada. Não ponha pomada, não ponha pastas e procure um hospital. No hospital, vai se avaliar que tipo de queimadura é, qual a gravidade dela e o tratamento adequado.”

O médico lembra que a queimadura é uma doença muito antiga. “Desde que o homem aprendeu a lidar com o fogo, ele sofre com queimaduras. Em função disso, criou-se tradições, costumes que não ajudam no tratamento. Muita gente costuma colocar inúmeras coisas sobre queimaduras como clara de ovo, pasta de dente, pó de café e outras coisas bizarras“.

De acordo com ele, cada vez que se coloca alguma coisa sobre a queimadura, dificulta-se o trabalho do médico. “O médico vai ter que remover aquilo. No momento de remover o que foi colocado sobre a lesão, por mais delicado que ele seja, vai trazer mais problemas para aquela área queimada.”

Para ele, a população precisa se conscientizar disso. “Quando você coloca alguma coisa na queimadura, tem que ser muito criterioso. É por isso que a população tem que se conscientizar que não deve colocar nada sobre a área queimada ”.

Dentre os acidentes domiciliares, o médico frisa os mais comuns. “É a criança que está na cozinha sem supervisão. Que senta sobre a porta do forno e derrama o feijão quente sobre suas costas. Ou, quando a criança puxa uma toalha e os pratos quentes caem sobre ela. Com os adultos ocorre muito da pessoa sentar numa poltrona com o cigarro acesso e adormecer, provocando um incêndio, por isso, vamos trabalhar na educação da população.”

A unidade, de acordo com o coordenador, está trazendo uma filosofia nova de tratamento. “Vai procurar atender o paciente tanto no regime ambulatorial quanto de internação, de forma integral, dentro das normas internacionais estabelecidas. Temos muito a caminhar, mas a nossa intenção é trazer para a população o que há de mais adequado no tratamento de queimaduras.”

A Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual Bauru “Arnaldo Prado Curvelo” será inaugurada amanhã e começa a funcionar no dia seguinte.

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