Polícia

Violento, trânsito dispara em mortes

Ronaldo Schiavone (colaborou Luciana La Fortezza)
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Militar (PM) de Bauru está preocupada com a incidência de mortes no trânsito da cidade nos três primeiros meses de 2004. Até agora, já foram registrados nove óbitos em acidentes envolvendo veículos, sendo dois deles apenas no último final de semana. O número equivale a 53% do total de vítimas fatais de todo o ano passado, que chegou a 17. Em 2003, não foi registrada nenhuma morte no primeiro trimestre.

O comandante da Companhia de Trânsito da PM, capitão Nelson Garcia Filho, afirma que a corporação irá tomar providências para tentar evitar que o número de mortes continue crescendo. A primeira delas será intensificar a fiscalização nos principais corredores viários do município.

Ele revela que a PM pretende, inclusive, utilizar o radar fotográfico móvel da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) durante as operações. “Vamos indicar a eles os pontos em que os motoristas estão desenvolvendo uma velocidade maior do que a permitida para que o equipamento possa ser instalado”, diz.

Segundo o capitão, a polícia também manterá a fiscalização com bafômetro e as campanhas educativas que já estão sendo desenvolvidas pela corporação. “Continuaremos investindo nisso”, declara.

Hoje, por exemplo, será realizado mais um bloqueio educativo da campanha Paz no Trânsito, iniciativa da Emdurb, PM e Polícia Científica. Os motoristas que passarem pela quadra 53 da avenida Nações Unidas, das 8h às 10h, receberão adesivos e cartilhas.

Pontos críticos

Para Garcia Filho, a rua Bernardino de Campos e as avenidas Castelo Branco e Marcos de Paula Raphael são, atualmente, os pontos mais críticos da cidade quando o assunto são os acidentes de trânsito.

A quadra 40 da avenida Castelo Branco foi o palco de uma das mortes do final de semana. Na madrugada do domingo, o motociclista Márcio Montovani, 26 anos, tentou ultrapassar um veículo e morreu após colidir de frente com outra moto, pilotada pelo PM José da Costa Siebra Brito, 38 anos, que precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. O seu estado de saúde permanecia estável até o encerramento dessa edição.

O capitão afirma que o excesso de velocidade é o principal problema verificado na avenida. “O veículo que vem no sentido Centro força a ultrapassagem. Ele só deveria ultrapassar quando não houvesse nenhum carro vindo no sentido contrário, mas isso não é respeitado. É o mesmo problema da rua Bernardino de Campos”, diz.

Segundo ele, a PM quer estender a fiscalização da Castelo Branco até a rodovia municipal Elias Miguel Maluf, no acesso à Piratininga, mas cobra melhorias no trecho para que isso ocorra. “Se você fizer uma operação noturna com bafômetro naquele local, aumentam os riscos de acidentes, porque o trecho é escuro e não tem acostamento. Onde vamos abordar os motoristas?”, questiona.

Além disso, ele reclama da presença de postes e árvores próximos ao asfalto e da falta de uma melhor sinalização de solo no local, além do mato alto que toma conta do acostamento.

O secretário municipal das Administrações Regionais, Arlindo Figueiredo, diz que uma equipe de funcionários da prefeitura irá realizar o serviço de limpeza do acostamento nos próximos dias, mas que no momento não há verbas disponíveis para asfaltá-lo.

Já a assessoria de imprensa da Emdurb afirma que a sinalização de solo da rodovia é satisfatória, embora o trecho não conte com uma faixa branca para indicar a separação entre o asfalto e o acostamento.

Garcia Filho explica que, no caso da avenida Marcos de Paula Raphael, no Núcleo Mary Dota, o principal problema são os abusos cometidos pelos condutores. “A população do bairro vai ao local se divertir, mas há motociclistas que ficam empinando as motos e causam riscos de acidentes”, comenta.

Próximo dali, na avenida Rosa Malandrino Mondelli, foi registrada a outra morte do final de semana. O ciclista Everton Adauto Pimenta, 27 anos, morreu anteontem à noite ao ser ser atingido por um carro. O motorista do veículo envolvido no acidente, Mário Amadeu Padovan, foi localizado ontem à noite pela Polícia Militar. O veículo dele, uma Chevy vermelha placa BFI 7597 foi submetido à perícia.

Padovan poderá responder por homicídio culposo (sem a intenção de matar) ou por homicídio doloso (com a interrupção). Neste caso, poderá pegar pena de seis a 20 anos de prisão. A pena por homicídio culposo é de dois a seis anos de reclusão, mas pode ser ampliada até a metade, porque o motorista deixou de prestar socorro à vítima.

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