Polícia

Homicídios crescem 33% no primeiro trimestre

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Com a morte de um rapaz de 22 anos na Vila Santa Luzia, anteontem à noite, o número de homicídios neste ano subiu 33%, em comparação com os três primeiros meses do ano passado, quando foram registrados 12 crimes desta natureza. O guarda de segurança André Luiz da Silveira é a 16.ª vítima de assassinato em Bauru desde o início do ano.

No ano passado, a Polícia Civil registrou 42 homicídios. Se a ocorrência de crimes continuar no mesmo ritmo destes três meses, a projeção é de que o número de homicídios chegue a 55 até dezembro. Já foram registradas uma morte em janeiro, oito em fevereiro e cinco em março.

No entanto, ocorreram outras mortes violentas na cidade, como a de Paulo Roberto da Silva Marçal, 27 anos, que foi morto em confronto com policiais militares na última terça-feira. A ocorrência foi registrada como averiguação de resistência seguida de morte. A Polícia Civil ainda classifica como homicídio apenas as ocorrências em que a vítima morre no local ou poucos momentos depois.

Na opinião do delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e que está respondendo interinamente pela Delegacia Seccional, a prevenção de homicídios exige diversas medidas, mas é impossível fazer a previsão do crime. “Os crimes de homicídio não têm possibilidade objetiva de prevenção, pois ninguém sabe onde e quando uma pessoa vai matar a outra”, diz.

Ele afirma que o aumento no número de homicídios em Bauru tem sido discutido freqüentemente nas reuniões realizadas entre os comandos da Polícia Civil e Militar (PM) da região. “Este é sempre nosso principal assunto, pois é um crime contra a vida. Traçamos metas para tentar diminuir os índices de homicídios e Bauru se mantém dentro da média na região”, aponta.

Segundo Cardia, entre outras ações realizadas pela PM e pela Polícia Civil, estão blitze realizadas em locais com concentração de pessoas, como festas, bares e pontos de encontro de jovens, na tentativa de localizar armas brancas e de fogo. “Também temos um mapeamento das regiões onde temos mais ocorrências e ainda um levantamento de pessoas envolvidas direta ou indiretamente com os crimes. Com isso, estamos desarmando pessoas que poderiam vir a cometer um homicídio”, observa.

16ª vítima

De acordo com o boletim de ocorrência (BO) registrado no Plantão Policial, o crime ocorreu por volta de 22h10. Silveira estava em um bar na quadra 3 da rua Ernesto Monte, na Vila Santa Luzia, quando se desentendeu com outro rapaz, que já foi identificado pela polícia como o principal suspeito, mas não teve seu nome revelado pois ainda não foi preso.

Segundo o avô da vítima, João José Silveira, seu neto teria procurado o rapaz para cobrar-lhe uma dívida. “Esse moço estava devendo dinheiro para ele e achou ruim de ser cobrado. Uma mulher que estava perto contou que ele saiu do bar e voltou logo depois com uma faca. O pessoal tentou segurar mas não conseguiu”, lamenta.

Silveira e o outro rapaz começaram a brigar na rua e o suspeito teria desferido golpes com a faca no abdômem da vítima. De acordo com testemunhas ouvidas pela PM, o rapaz, que fugiu levando a faca, parecia estar ferido. A vítima ainda se levantou e tentou alcançá-lo, mas tornou a cair. Uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros foi chamada no local mas Silveira morreu antes de receber atendimento.

Um inquérito sobre o caso foi instaurado no 2º Distrito Policial e na DIG. De acordo com o delegado Antônio Carlos Piccino Filho, os policiais trabalhavam ontem na tentativa de localizar o principal suspeito, que teve seu nome apontado por testemunhas. No entanto, até o final da tarde, o rapaz ainda estava desaparecido.

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