Economia & Negócios

Alta do IPI não reduz venda de carros

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Manutenção e, em alguns casos, até aumento das vendas de veículos novos em março na comparação com o mês passado. Este é o surpreendente resultado registrado nas concessionárias de Bauru após o fim do acordo, em fevereiro, entre governo federal e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que desde agosto de 2003 manteve o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com redução de 3%.

Com o término do acordo - que foi prorrogado em dezembro e se estendeu até o mês passado -, as concessionárias esperavam amargar queda nas vendas de veículos 0km neste mês, que historicamente é considerado bom. Contudo, uma redução generalizada das montadoras sobre as taxas de juros para financiamento está sendo a principal causa apontada para a boa performance de março.

“Eu acredito que as reduções das taxas de juros foram estrategicamente pensadas pelas montadoras para amenizar o impacto do fim do acordo que reduziu o IPI. E deu certo, porque deveremos encerrar o mês com a mesma quantidade de carros novos comercializados em fevereiro”, diz Renato Tâmbara Neto, gerente de uma revenda Volkswagen.

Segundo ele, juros na marca de 0,99% ao mês colaboraram para continuar atraindo o consumidor para o setor de carros 0km da empresa (que deve encerrar março com mais de 120 unidades comercializadas), embora a venda de veículos seminovos já esteja registrando aumento em torno de 30% sobre janeiro e fevereiro deste ano.

“Para o mês de abril nossas expectativas são positivas. Pretendemos vender, no geral (entre novos e seminovos), de 10% a 15% a mais do que neste mês”, adianta Tâmbara Neto.

Em uma revenda GM, o gerente de vendas Fernando Vieira de Mello diz que a primeira quinzena deste mês foi fraca, mas depois os resultados começaram a aparecer. Para ele, o cenário atual é resultado do aquecimento da economia e de consumidores menos retraídos, ao contrário do que ocorreu no mesmo período do ano passado.

“Em quantidade de veículos, o mês de fevereiro teve mais vendas. Contudo, muitos pedidos feitos no mês passado foram faturados em março, por isso, os resultados devem ser maiores neste mês em torno de 15%. Eu esperava uma queda que, felizmente, não ocorreu. O mercado está realmente aquecido”, avalia Mello.

Numa concessionária Ford, o gerente de vendas José Eduardo de Souza confirma a boa notícia trazida pelo mês de março e a manutenção do índice de vendas registrado em fevereiro.

“Nós iniciamos este mês ainda com alguns carros em estoque, cujo preço ainda era com o IPI reduzido. Além disso, temos taxas subsidiadas sem juros, financiamentos a longo prazo e a Ford está investindo em várias promoções. Tudo isso estimulou o consumidor a realizar o sonho de ter um carro 0km”, observa Souza.

O gerente-geral da concessionária Fiat, Durval Sabatini, também confirma performance semelhante à de fevereiro no volume de comercialização de veículos novos. Além disso, aponta um acréscimo em torno de 15% sobre fevereiro nas vendas de seminovos. “Temos taxas subsidiadas e muitas promoções. Esperamos um mês de abril ainda melhor.”

Em outra revenda Ford da cidade, Jorge Simão Neto, da diretoria da empresa, diz que os resultados deste mês chegam a estar acima dos índices de venda registrados em fevereiro. O setor de seminovos também está bastante aquecido, com taxas de juros de 1,6% ao mês.

“É surpreendente, mas vamos vender mais neste mês. Na verdade, além das taxas bastante atrativas que temos, há uma demanda reprimida neste setor que está sendo estimulada com as promoções que vêm sendo realizadas pelas montadoras. Na comparação com março do ano passado, deveremos vender de 8% a 10% mais neste ano em carros novos”, afirma Simão Neto.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a adoção de incentivos especiais para a indústria automobilística por considerar ser um setor de ponta para a economia do País. Segundo ele, durante o período em que vigorou a redução de 3% do IPI o Estado não perdeu nada.

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