Pernambuco, embora tenha belezas incontestáveis, deve ficar com inveja de Maragogi estar tão perto e pertencer a Alagoas. Distante pouco mais de 100 quilômetros de Recife e a igual distância de Maceió, a cidade que no nome já traz o mar, é um paraíso de águas azuis turquesas e mornas o ano inteiro.
Um mar que pode ser desfrutado por gente de todas as idades por ter mais um ponto a seu favor: Maragogi é o primeiro município da costa brasileira totalmente saneado. Tanto assim que seu prefeito anda desfilando sorrisos rasgados por todos os cantos.
Para se chegar a Maragogi, o turista pode optar tanto por desembarcar em Recife quanto em Maceió. A distância rodoviária entre os dois aeroportos é de uma hora e quarenta minutos, por uma estrada com asfalto impecável e visão belíssima: acortinada por coqueiros e as ondas do mar.
O lugar lembra tanto o paraíso que foi lá, na Costa dos Corais, que Cacá Diegues filmou as primeiras cenas de “Deus é brasileiro”, com Antônio Fagundes no papel central, banhando-se naquelas piscinas naturais por conta das barreiras de corais.
Conhecidas como galés, as piscinas são mais um dos encantos de Maragogi. Diariamente, em horários diferentes por conta da tábua das marés, dezenas de cataramãs pintados de branco atravessam os 15 quilômetros que separam a praia das piscinas naturais para banhos e mergulhos.
Entre cardumes de peixinhos de cores vivas, o contato com a água é uma festa e uma aula de ecologia. Lá em Maragogi todos são conscientizados de que os corais não “imexíveis”, já que são eles os responsáveis por tanta beleza.
Os visitantes, antes de descerem das embarcações, são instruídos para nunca levarem para casa corais e estrelas-do-mar e não se deixarem induzir por moradores ribeirinhos que, a troco de alguns reais, oferecem as riquezas do mar.
Pode-se, isso sim, mergulhar com “snorkel” para ver de perto o que o mar alagoano oferece durante aproximadamente uma hora e meia, tirar fotos, alimentar os peixinhos e fazer até mesmo um piquenique marinho. Vendedores de bolachinhas de goma percorrem os catamarãs oferecendo o sequilho que é marca registrada do lugar.
Bebidas e sanduíches naturais também são servidos no bar improvisado de onde não dá vontade de sair.
Mas como a maré sobe, e rápido, os banhos são limitados a uma hora e meia no máximo. Além dos catamarãs, o turista pode chegar às galés em lanchas fretadas com capacidade para oito pessoas.
O sertão que virou mar
Além das galés, Maragogi oferece ao visitante atrações aéreas e terrestres. Na extensa faixa de areia fina, branca e macia pode-se partir para vôos de ultraleve que oferecem uma visão deslumbrante do que é o litoral alagoano.
De carro, chega-se aos vilarejos da região, como Japaratinga e São Bento, onde além de praias sombreadas e pousadas que são puro charme, existe um mirante natural de tirar o fôlego. Em meio a plantas nativas da mata atlântica avista-se lá longe o mar que ruma a Pernambuco e falésias milenares. O sertão que virou mar.
A variedade de paisagens é a maior característica de Japaratinga, município privilegiado com uma diversidade impressionante de ecossistemas, fator que transforma o lugar em um verdadeiro paraíso culinário, onde se pode degustar os mais deliciosos (e exóticos) pratos típicos da região.
Fundada em junho de 1960 (até então a cidade era um povoado pertencente a Maragogi), Japaratinga oferece aos visitantes a possibilidade de desfrutar a plenitude de seus encantadores cenários naturais, compostos de rios, manguezais e praias calmas, com águas de um verde que só é possível de ser encontrado nesta parte do Nordeste brasileiro.
Assim como Maragogi, conta com uma boa infra-estrutura e oferece aos turistas excelentes opções de hospedagem. Suas praias mais procuradas são as de Japaratinga e Barreiras do Boqueirão, esta com aspecto quase primitivo por conta das bicas de água mineral e calmaria relaxante.
A praia e o povoado de São Bento são os responsáveis pelos segredos da confecção dos famosos sequilhos de Maragogi, chamados em Alagoas de “bolinhos de goma”.
O roteiro praia e povoado já é um dos passeios mais procurados pelos turistas que passam por Maragogi. Atraídos pelas belezas naturais da vila de pescadores construída no lugar, os visitantes aproveitam os banhos de sol e mar nas águas calmas do recanto e, depois, deliciam-se com os bolinhos de goma, iguarias de sabor suave e, ao mesmo tempo, marcante.
O povoado de São Bento também guarda outra preciosidade em seus limites. Na capelinha de Santa Luzia, por exemplo, é possível encontrar imagens barrocas antigas, de santos como São Benedito, São Miguel e Santa Terezinha.