Funcionários de casas de bingo de Bauru em férias coletivas há um mês serão demitidos a partir de hoje. Das três casas que funcionavam no município, o Bingo Cidade, localizado na rua 1.º de Agosto, era o que mantinha mais empregados. “Serão 50 funcionários a partir de amanhã (hoje) já demitidos”, afirma o gerente José Augusto Batistella.
Desde a edição da Medida Provisória (MP) que proibiu os bingos no País, em 21 de fevereiro, empresários e trabalhadores do setor aguardam uma definição do governo federal sobre o assunto. Em Bauru, grande parte dos funcionários de bingos (estimados em pouco mais de 150) recebeu férias coletivas na tentativa de adiar a demissão em massa.
Hoje, um mês após o início das férias coletivas, as casas não têm mais como manter os trabalhadores com as atividades paralisadas. “Basicamente, não vamos ter como segurar mais”, diz Batistella. E acrescenta: “A partir de agora a gente começa a ter problemas financeiros: não há renda, não há de onde tirar dinheiro”.
Nas outras duas casas de bingo de Bauru, as rescisões já vêm sendo feitas aos poucos. Uma funcionária de bingo, que preferiu não ter seu nome divulgado, afirma que continuava empregada até o final da última semana, mas não estava recebendo nenhum tipo de auxílio financeiro. Segundo ela, a ameaça da perda definitiva do trabalho fez com que muitos colegas já procurassem agências de empregos e enviassem currículos antes mesmo de uma definição.
De acordo com Batistella, a tal “definição” aguardada pelo setor está cada vez mais distante. Na madrugada de ontem, a Câmara dos Deputados aprovou a MP editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não dá para esperar agora para ver se a MP será aprovada no Senado”, diz o gerente.
Outra alternativa para manter a casa em funcionamento seria obter uma liminar na Justiça, a exemplo do que ocorreu em Jaú. A fragilidade de uma liminar, porém, desanima os proprietários de casas de bingo na cidade, segundo Batistella. No caso do Bingo Cidade, que funciona em um imóvel alugado, não há previsão se a casa pretende reabrir com outra atividade. “Por enquanto, não há nada em vista (para substituir o bingo)”, diz.
Batistella afirma que a prioridade da casa no momento é pagar as verbas rescisórias dos funcionários - inclusive as dele. “A situação está muito complicada para os funcionários. A maioria tem família para sustentar”, observa. Em breve, no entanto, a intenção é questionar na Justiça o pagamento de outros créditos, como impostos no período em que o bingo esteve fechado.
Plantão
O Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Similares de Bauru (Sechorbs), que reúne os funcionários de bingos, se prepara para homologar as demissões em massa hoje com plantão da assessoria jurídica. De acordo com o presidente da entidade, Francisco Pereira de Andrade, o sindicato pretende questionar na Justiça, mas ainda não sabe qual rumo exato tomar. “Nós vamos aguardar o pronunciamento deles (dos proprietários de bingos)”, afirma.
Segundo Andrade, o sindicato mantém uma agência de empregos para trabalhadores do setor hoteleiro, e pretende encaixar currículos de ex-funcionários de bingos no cadastro. No momento, essa é a única maneira encontrada pela entidade para tentar minimizar os efeitos da demissão em massa.