Regional

Judiciário lacra Igreja em Botucatu

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Numa decisão inédita, a juíza substituta Sizara Corral Leão, da 4.ª Vara Cível de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru), mandou lacrar um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, no Centro da cidade.

A ordem atende à solicitação de moradores que vinham reclamando desde 2002 do barulho produzido pelos fiéis durante os cultos.

O templo foi lacrado na tarde de anteontem por um oficial de Justiça. Quando ele chegou ao local, cerca de 30 pessoas aguardavam o início do culto das 15h. Todos tiveram de sair do templo e as portas foram fechadas e lacradas pelo oficial.

A principal reclamação dos vizinhos é quanto ao volume alto em que são executados os hinos da igreja, assim como as orações feitas dentro do templo, igualmente excessivas no tom.

A prática é comum entre as igrejas pentecostais, embora nem todas. Em alguns casos, as lideranças religiosas responsáveis pela organização do culto acreditam que elevando o volume dos hinos e da pregação podem alcançar as pessoas que estão fora do templo.

Seria uma forma de atrair novos membros por meio das mensagens divulgadas pelo sistema de som. Mas nem sempre a tática surte o efeito desejado. Ao contrário, muitos moradores acabam se incomodando com o barulho e passam a criticar a igreja.

Além de não contar com um sistema acústico que evite que o som se propague pela vizinhança, a Igreja Universal de Botucatu também não possuía alvará de funcionamento.

O documento é fornecido pela prefeitura. De acordo com o setor responsável, a igreja havia feito o pedido, mas o processo para a concessão do alvará ainda não tinha sido concluído.

A reportagem entrou em contato ontem com um pastor da igreja, em Botucatu, que se identificou apenas como Gilmar, para comentar a decisão da Justiça.

No entanto, ele informou que estava impedido de dar qualquer declaração sobre o fechamento do templo. Segundo o pastor, a ordem teria partido da assessoria jurídica e de lideranças da igreja.

Qualquer pronunciamento sobre o ocorrido, segundo ele, seria feito através da emissora de TV controlada pela Igreja Universal. O local que foi lacrado pela Justiça é o único templo da Universal em Botucatu.

Da mesma forma, a juíza substituta, Sizara Corral Leão, que ordenou o lacre, não quis comentar a decisão.

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