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A solidão de Madre Teresa


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Inegavelmente, “quem vê cara não vê coração”. Muitas vezes sou indagada acerca dos problemas que afligem a humanidade e, naturalmente a todos nós, pessoas viventes. Alguns crêem que a psicologia é mágica ou milagrosa, capaz de nos manter imunes aos sofrimentos cotidianos ou nos conferir sabedoria tal que possamos sofrer menos do que quaisquer outros seres humanos. Isso é pura falta de esclarecimento. Qualquer pessoa, independente de sua profissão, está sujeita às agruras e contentamentos provenientes de nossa existência terrena. Prova disso são as mais recentes descobertas acerca da vida de nossa querida Madre Teresa de Calcutá, exemplo de amor e doação aos mais pobres entre os pobres.

Madre Teresa era considerada por todos como a irmã sorriso, visto que ela encarava a vida de forma simpática (sorrindo sempre), heróica, destemida e provida de uma fé considerada inquebrantável. Muitos, entretanto, desconhecem a solidão interior que a acompanhou ao longo de vários anos; alguns estudiosos afirmam ao longo de 50 anos. É dela a frase: “Meu sorriso é um manto que cobre uma multidão de sofrimentos”. Ela vivia constantemente mergulhada em inúmeras dúvidas, que a deixavam perplexa e abatida interiormente a ponto de acreditar que Deus estava longe dela e a havia abandonado. Vejam que o sofrimento interior e a angústia levam qualquer ser humano a duvidar da presença de Deus ao seu lado. Jesus Cristo, investido da natureza humana, experimentou essa sensação em seus derradeiros momentos de aflição (Mc 15, 34). Todos nós, independente de profissão, cultura, nível sócio-econômico, estamos sujeitos à angústia, ao sofrimento psíquico e à solidão existencial em algum momento de nossa vida, sendo que este se prolonga ou se extingue dependendo da natureza de cada pessoa.

Madre Teresa não foi exceção e lutou bravamente consigo mesma para a superação dos momentos de transtorno emocional, impondo seu estilo piedoso e volvendo a todos seu sorriso contagiante. Eis uma pessoa de fibra, coragem e ânimo resistente. Sabemos que nem todos possuem essa força, assim como desconhecemos aqueles que, à semelhança de Jesus e Madre Teresa, enfrentam um calvário diário internamente.

Este artigo é só pra dizer que é possível sobreviver à noite escura da alma, não sem sofrimento mas com dignidade de pessoa humana. Alguns justos podem e devem servir para nos inspirar e confortar diante das dificuldades da vida. Madre Teresa, exemplo de caridade e amor ao próximo, sofreu como qualquer pessoa vivente e nem por isso se omitiu, trabalhando incansavelmente para a melhoria das condições da população indiana. Seu exemplo nos leva a refletir que por mais adversas que sejam as situações cotidianas, podemos enfrentá-las se nos dispusermos a isso. Muitos acham que “um” não é nada, mas para alguns “um” é tudo o que há. Faça a diferença no seu meio ambiente, na sua família, no seu trabalho, na sua comunidade. Se todos fizermos a nossa parte poderemos transformar a Terra. Precisamos de mais Madres Teresas, precisamos da união de todos e de toda a nossa energia positiva para construirmos um mundo bem melhor e solidário.

A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga e autora do Livro: “Buscando a Felicidade”.

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