Em um ano, o valor da cesta básica em Bauru subiu 5,5%, superando a inflação do período, que foi de 5,05% segundo o IPC-Fipe - uma alta real de 0,42%. O último valor apurado pelo Data-ITE, órgão de pesquisas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), é de R$ 198,67 em março, contra os R$ 196,74 registrados no mesmo mês de 2003. Embora o reajuste de preços seja pequeno na comparação mês a mês (em relação a fevereiro, por exemplo, a alta é de 0,98%), o consumidor sente que o aumento na prática é maior.
De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, coordenador do Data-ITE, isso ocorre por dois motivos. O primeiro é prático: a base de comparação é alta em relação à renda do trabalhador. O segundo é técnico: a metodologia da pesquisa toma por base os valores mínimos encontrados nos supermercados da cidade.
Cafeo lembra que, antes da disputa presidencial de 2002, o valor médio da cesta em Bauru era em torno de R$ 148,00. Com o descontrole de preços às vésperas da eleição, quando a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva era evidente, houve um significativo “repique” de preços em pouco tempo.
“O consumidor teve uma alta muito significativa num período muito curto, passando de uma média de R$ 148,00, como foi durante grande parte de 2002, para chegar no final daquele ano beirando já os R$ 195,00. Como os preços continuaram subindo, o valor da cesta não voltou mais - e não voltará - ao patamar de R$ 148,00 a R$ 150,00”, afirma o economista. Desde o início de 2003, portanto, a base de comparação está em torno de R$ 200,00.
De acordo com Cafeo, isso significa que, desde então, a cesta aumentou, no mínimo, em 40%, ao passo que a renda do trabalhador cresceu, no máximo, 10% no mesmo período. A atendente Marina Padilha Lazzarini, 24 anos, exemplifica a corrosão do poder de compra no período. “Antes eu recebia o vale-compras e fazia uma compra que durava uns 15 dias. Hoje, com o vale no mesmo valor, a quantidade de produtos dura uma semana”, afirma.
Segundo Cafeo, uma outra maneira de fazer a comparação é levando em conta o quanto a cesta básica representa no salário mínimo. Em 2002, com a cesta a uma média de R$ 150,00 e o salário mínimo fixado em R$ 200,00, a proporção era de 75%. Hoje, mesmo com o salário a R$ 240,00, o valor da cesta representa 83% do salário mínimo.
“O valor cresce, na proporção, quase dez pontos percentuais que não têm mais volta, pelo menos até haver um aumento do salário mínimo”, diz o economista. Para o próximo reajuste do salário mínimo, em vigor a partir de 1 de maio, a expectativa é de que o valor chegue a R$ 275,00.
Neste ponto, a metodologia da pesquisa - feita pelos padrões do Dieese - deve ser levada em conta. Enquanto o valor mínimo da cesta básica de março foi de R$ 198,67, a média entre os supermercados da cidade foi de R$ 247,20. Para comprar os 31 itens da cesta pelo valor mínimo, a tarefa é quase impossível - o chamado cenário ideal. Para obter o valor médio, mais próximo da “realidade”, o consumidor precisaria pesquisar preços e buscar ofertas.
Higiene e limpeza
Dos três grupos de produtos pesquisados pelo Data-ITE - alimentação, limpeza doméstica e higiene pessoal -, nenhum registrou queda durante os últimos 12 meses. Em comparação a fevereiro, apenas o de alimentação caiu: menos 2,3%. Os produtos de higiene pessoal subiram 7,3% e os de limpeza doméstica tiveram alta de 12,5% em apenas um mês.
Para Cafeo, a alta dos itens de limpeza e higiene fogem à expectativa de uma certa estabilidade nos preços. “As indústrias estão remarcando preços e, dada a força dos oligopólios, estão impondo preços elevados”, observa o economista, que aconselha o consumidor a redobrar a atenção e, sempre que possível, substituir marcas por similares mais baratas.