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Orientação sexual atingirá 3 mil alunos

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O projeto “Urologista Cidadão”, que foi apresentado oficialmente ontem pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seads), deverá atingir mais de 3 mil crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos na região de Bauru. A apresentação ocorreu durante o Encontro Regional de Políticas Públicas para a Criança e Adolescente das Regiões Centro-Oeste e Noroeste Paulista, realizado na Universidade do Sagrado Coração (USC).

O programa tem o objetivo de levar orientação sexual e informações sobre gravidez precoce e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis especialmente para crianças e pré-adolescentes. De acordo com a titular da Seads, Maria Helena Guimarães de Castro, o projeto tem seu alvo justamente em adolescentes que ainda não começaram sua vida sexual e que são mais carentes de informação.

“Uma pesquisa de índice de desenvolvimento juvenil da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) revelou que a vida sexual dos meninos começa em média aos 13 anos, e das meninas, com 14 anos e meio. Se eles estão iniciando sua vida sexual cada vez mais cedo, é muito importante este tipo de esclarecimento para que eles conheçam os problemas e os cuidados que devem tomar para se prevenir das doenças”, afirma.

A secretária aponta que o projeto alcançará, inicialmente, mais de 3 mil crianças e adolescentes das escolas de 54 municípios da região de Bauru. Além das ações nas escolas e entidades, deve ocorrer ainda a divulgação publicitária da iniciativa, voltada também para os jovens. Após a apresentação da iniciativa em Bauru, seu lançamento oficial deve ser realizado nas próximas semanas e o início dos trabalhos devem ocorrer em 2 de maio.

O presidente da SBU, Agnaldo César Nardi, explica que as ações serão realizadas nas escolas e entidades que agendar uma visita dos médicos voluntários. No dia marcado, o urologista apresentará o tema em uma aula de aproximadamente 20 minutos e os alunos assistirão um vídeo produzido especialmente para o projeto e ainda receberão cartilhas informativas. Em seguida, a discussão será aberta para que as crianças e adolescentes possam fazer perguntas e tirar suas dúvidas.

“O projeto foi idéia da SBU, porque queremos fazer nossa parte e cumprir nossa responsabilidade social, ajudando o País e interagindo com a comunidade. É uma entidade de classe se unindo ao governo e a organizações não-governamentais no sentido de fazer um trabalho para a população”, declara Nardi.

Na opinião do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que também é médico, o projeto “Urologista Cidadão” é pioneiro em sua concepção, aliando parcerias do governo com entidades. “Mas tudo o que é novidade, eu prefiro esperar para ver na prática. O País está cansado de metas e programas. Espero que este projeto vá para frente, porque a orientação sexual deveria até ser obrigatória nas escolas”, declara.

Fórum

De acordo com a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca), Maria Cristina da Silveira Fernandes, a entidade vai trabalhar junto às divisões regionais e aos conselhos municipais para a implantação do “Urologista Cidadão”. “Daremos apoio às regionais, pois são eles que vão trabalhar efetivamente no projeto. O trabalho será feito em rede, com a cooperação de todos os envolvidos”, diz.

Na parte da tarde, os participantes do encontro discutiram as políticas públicas para crianças e adolescentes no Estado, analisaram projetos que devem ampliar a ação do Condeca e ainda conferiram a prestação de contas da entidade. Maria Cristina destaca ainda que foi discutida a importância dos fóruns regionais, que darão base para a realização do fórum estadual, no segundo semestre.

A titular da Seads confirma que o projeto já tem mais de 30 médicos urologistas voluntários cadastrados para dar início ao trabalho. Com certeza, com o início do programa, outros aparecerão. Todos estes profissionais têm seu compromisso social e ético na profissão. O jovem é impetuoso, mas na medida em que tem esclarecimento e formação mais consistente, ele vai aprender a se cuidar”, conclui Maria Helena.

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