O mecânico aposentado bauruense Martins Alegria sempre foi um apaixonado por motos desde criança. Tamanho gosto o motivou a concretizar um sonho que para ele parecia impossível em princípio: construir um triciclo.
Dono de várias motocicletas ao longo da vida, todas de pequeno porte, Alegria, como é mais conhecido, possuía um desejo antigo de contar com uma máquina maior e mais imponente. A vontade foi crescendo à medida que o aposentado freqüentava encontros de motoclubes e avistava os triciclos rodando. “Eles me chamavam atenção pela beleza, mas quem os tinha me desanimava”, afirma.
Alegria refere-se ao fato dos proprietários de triciclos o alertarem sobre as dificuldades para se construir um, como o alto custo e o intrincado processo burocrático legal para se obter toda a documentação. Mesmo assim, ele não desistiu e, graças a ação do destino, seu sonho começou a tornar-se realidade.
Isso porque um primo de Alegria conhecia um amigo em Bauru que era dono de um triciclo. Depois de muito insistir para o parente, o aposentado dirigiu-se, à noite, até a casa do proprietário da máquina de três rodas. Chegando lá, encantou-se com o veículo, mas não conheceu quem tinha a felicidade de dirigi-lo, que não estava no momento.
Mas no dia seguinte, logo pela manhã, Alegria retornou ao local especialmente para conhecer o dono do triciclo. Ao vê-lo pessoalmente, o aposentado ficou surpreso: era um amigo que já mantia contato há cerca de dois anos. “Por que você não falou antes que tinha um?”, foi a primeira pergunta feita pelo mecânico.
O amigo em questão é Odinei Gonçalves da Silva, que também construiu seu triciclo e cujo fato já foi alvo de reportagem do AutoMercado&Cia. A partir daí, o que era uma amizade comum transformou-se em quase uma “irmandade”. “Ele deu uma baita força durante a montagem, principalmente na parte estrutural. Se não fosse o Odinei, o triciclo não sairia do lugar”, destaca Alegria.
Graças à valiosa ajuda de Odinei, o mecânico aposentado pôde finalmente iniciar a construção do triciclo. Um dos primeiros passos foi vender a Caravan 88 para reunir dinheiro. “Foi triste, mas pelo menos quem comprou foi meu filho, que está sempre por perto com ela”, conta Alegria.
Foi com estes recursos que ele adquiriu uma Brasília, veículo-base para o triciclo de onde o bauruense aproveitou o câmbio, o motor 1600 cilindradas e as rodas traseiras aro 14. Depois, Alegria comprou cerca de 170 quilos de tubulação nova, uma roda aro 13 de Santana para instalar na dianteira e dois bancos de carro universais (sem modelo específico).
Feito isso, foi “só” iniciar a montagem do triciclo, que baseou-se em uma fotografia de um veículo do gênero tirada por Alegria em um encontro de motos na Capital paulista. Assim, após oito meses de muito esforço do aposentado e de Odinei, a máquina estava quase pronta, pois ainda faltava um detalhe: passar pela vistoria técnica da unidade bauruense do Centro Tecnológico Mecânico (Cetem), item obrigatório pela legislação.
Sem a aprovação do órgão, nenhum veículo modificado ou transformado pode rodar ou obter a documentação necessária, que o triciclo de Alegria conseguiu sem problemas, tal a perfeição técnica atingida. “Fomos rigorosos durante a construção em cada detalhe e fizemos vários testes. O produto ficou tão satisfatório que até os engenheiros do Cetem o elogiaram”, garante o aposentado.
Difícil mesmo, acrescenta Odinei, foi encontrar todo o material necessário à construção do triciclo. “Gastamos um tempo enorme procurando as peças. Foi o que nos deu mais mão-de-obra, mas no final o trabalho valeu a pena”, enfatiza.
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A obra-prima
Realmente, o capricho dos mecânicos Martins Alegria e Odinei Gonçalves da Silva na construção do triciclo impressiona. A começar pela imponência dos seus 4,2 metros de comprimento distribuídos entre os 470 quilos de peso e ressaltados por uma bela e reluzente cor azul clara, tom predominante do veículo.
Além do design, o esmero de ambos também pode ser visto em uma série de acessórios instalados no triciclo, que o transformaram em uma máquina confortável e prática. Para ligá-lo, basta acionar a partida elétrica. O painel, adaptado de uma Titan, conta com as informações básicas de toda motocicleta.
Logo abaixo, um console, como o de automóveis, abriga chaves responsáveis pelo acionamento dos quatro faróis de milha existentes na frente do triciclo e do pisca-alerta. Destacam-se, ainda, no visual do veículo o bagageiro cromado, as lanternas traseiras redondas de Scania, o tanque de combustível com capacidade para 35 litros, a luz de ré, o assoalho de circular e as fitas refletivas.
Já o guidão é mais um exemplo do esmero dos mecânicos com o triciclo. “Fizemos tudo sob medida e artesanalmente para ele, como o guidão. Nossa maior preocupação foi com o acabamento”, destaca Odinei.
Por fim, o motor completa a estrutura do veículo de três rodas. Instalado na traseira, é capaz de acelerar até os 140 km/h de velocidade máxima e fazer uma média de consumo de gasolina de 13 quilômetros por litro.
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Perfil
Nome: Martins Alegria
Idade: 47 anos
Profissão: Mecânico aposentado
Hobby: Motocicleta
Cor preferida: Azul
Já que você gosta tanto de motos, qual é aquela dos sonhos? “Ter uma Harley Davidson.”
Para quem você nunca daria carona em seu triciclo? “Para os maus políticos.”
E para quem você faria questão de dar carona? “Para os amigos.”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “A buraqueira das ruas. Como tem buraco nessa cidade!”
Que nota você daria aos motoristas bauruenses? “Há os bons e maus condutores, mas, na média, daria oito.”