Na opinião do chefe do Departamento Técnico da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Benedito Geraldo Jr., não há necessidade de criação de uma secretaria municipal de habitação.
“Não há necessidade de mais despesas para o município, já que a Cohab está se gerindo, está no azul e não depende de recursos”, argumenta Benedito.
Ele concorda com a idéia de criar o Fundo Municipal de Habitação e o conselho gestor, que estabeleceria os rumos da política habitacional de Bauru.
“O conselho vai administrar e coordenar a verba que o fundo municipal de habitação vai captar. Ele receberá um porcentual do orçamento do município. Foi criado no papel, mas ainda não foi instituído. A Cohab não tem um fundo. Agora vai ter”, afirma o funcionário da companhia.
“O conselho gestor atuaria dentro da Cohab para administrar e aplicar bem os recursos que serão criados”, acrescenta.
Benedito afirma que a companhia quer voltar a atuar em projetos de desfavelamento, com o objetivo de oferecer novas moradias a famílias que hoje estão em áreas de risco.
Além disso, ele enfatiza a intenção de atuar também nos mutirões. “A Cohab foi pioneira no Brasil. Vários mutirões, como o do Jardim Ouro Verde, foram inseridos na cidade, promovendo socialmente muitas famílias. O grau de satisfação das pessoas é elevado”, opina.
O chefe de departamento alega que a situação da Cohab se justifica porque, na opinião dele, se a companhia não existisse, haveria mais favelas e o caos habitacional de Bauru seria maior.
“Temos grandes perspectivas. Saímos do vermelho e podemos voltar a atuar no mercado imobiliário com famílias de classe média e baixa. Achamos formas de abater a dívida da Cohab com a CEF (Caixa Econômica Federal) e reduzir o passivo grande. Tudo isso está sendo colocado nas reuniões do Plano Diretor”, argumenta.
O passo inicial, segundo Benedito, seria a vontade política para solucionar os problemas de Bauru. “Financiamentos existem aos montes. Tem recursos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e da CEF disponíveis. É só ter determinação política”, frisa.
Para o funcionário, uma das prioridades em Bauru são os desfavelamentos. “Vamos regularizar outras favelas. Vamos ver as condições em que elas estão e analisar áreas para promover o desfavelamento. São ações que promovem o homem, reduzem a violência e deixam as pessoas mais calmas”, justifica.
O passo inicial, que é o cadastramento da população, está sendo feito pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Posteriormente, devem ser definidos terrenos e recursos para as obras.
“O desfavelamento está passando por um processo de amadurecimento. Com a determinação de envolver os outros governos, consegue-se bons resultados”, diz Benedito.
Quanto ao déficit habitacional do município, sobre o qual não há dados precisos, o funcionário da Cohab acredita que ultrapasse os 10 mil casos. Ele acredita que a questão nunca será totalmente solucionada.
“O problema habitacional a gente nunca vai conseguir resolver. A gente tem que amenizar. É um problema do País inteiro. Não temos a pretensão de resolvê-lo. Temos de ir ao governo federal e buscar nossa parte nos recursos para habitação”, opina.