O torpor espiritual no qual a humanidade vê-se submergida não permite que se compreenda o porquê de tanta violência, incompreensão e desumanidade. Por não conhecer como atuam e reagem os pensamentos em sua mente, o ser humano é incapaz de prevenir-se contra as artimanhas destas entidades psicológicas tão bem definidas pela Logosofia que acabam por transformar-se em verdadeiros títeres da desgraça humana neste planeta que vem sendo consumido por ódios, incompreensões e mentiras. O conhecimento dos pensamentos é qualificado pela Logosofia como um conhecimento - base, poderoso agente auxiliar que permite transformar a vida diária. Quem não conhece essas entidades não as pode dominar, selecionar e fazer uso daquelas que possam ser úteis para o bem e felicidade próprios; também não as pode criar para que sirvam às altas finalidades da existência. E da mesma forma como o nosso físico necessita do oxigênio para sobreviver, o espírito individual necessita respirar através de sua capacidade de pensar, de selecionar e criar pensamentos de elevada hierarquia.
O ser humano não consegue entender o que esta acontecendo no mundo e consigo mesmo porque a sua capacidade de entendimento está prejudicada; não consegue criar soluções para os próprios problemas que são, em essência, os mesmos problemas que toda a humanidade vive, porque a sua capacidade de pensar está limitada; não consegue sentir em si a dor e o sofrimento de seus semelhantes que tombam nos campos de batalha porque sua sensibilidade está sufocada. Toda a estrutura psicológica humana está danificada e está, sim, é a reconstrução possível e necessária nestes tempos tão difíceis, pois nem todas as reservas morais e espirituais foram destruídas e, no íntimo de cada coração humano, ainda resta a esperança lendária que se manteve intacta como o providencial presente de Pandora.
Mais uma vez a humanidade está sendo sacudida para que desperte do torpor milenar do materialismo e da indiferença. Mais uma vez somos convidados a pensar, pois a realidade está a nos mostrar que temos trilhado caminhos equivocados. A preocupação excessiva com o desfrute dos bens materiais nos tem encantado e hipnotizado, tornando-nos frios e insensíveis defronte do nosso drama. O canto da ambição nos tem levado ao abismo como a mágica flauta do conto infantil. Devemos deixar de acreditar na ilusória melodia que confunde os nossos ouvidos e aprender a cantar o próprio canto, pois cada um de nós traz no coração a essência da verdade que nos poderá transformar em seres abnegados e grandes e apagar o estigma ancestral da barbárie e da desumanidade.
A esperança - o sentimento superior que nos impulsionará à ação por mudar o panorama de nossa vida - é um presente Deus que devemos manter em nossos corações. O conhecimento do que somos e do que podemos chegar a ser é o princípio de um novo caminho e um despertar para uma nova civilização.
O autor, Nagib Anderaos Neto, é adepto da logosofia.