Ovo de chocolate já é uma delícia, imagine se ele for recheado com muito amor e feito por mãos delicadas de adolescentes que encontram na confecção dessa guloseima a oportunidade de se profissionalizar? Esta é a fórmula dos ovos de Páscoa, em suas várias versões, fabricados pelo Centro Social São José da cidade de Santa Cruz do Rio Pardo (89 quilômetros a Sudoeste de Bauru).
Conhecido como o chocolate do Frei Chico, eles são, antes de tudo, o sustento de uma instituição que atende mais de 350 crianças e adolescentes, explica a vice-presidente, Ângela Sato. “As despesas são muitas, porque as crianças se alimentam aqui. Os recursos arrecadados com a venda de ovos e chocolates na Páscoa sustentam a instituição por três meses.”
A voluntária lembra que confeccionar ovos de Páscoa e arrecadar recursos para a instituição foi uma opção adotada há 14 anos, quase que por acaso. “As voluntárias foram visitar uma instituição na cidade de Fartura. Eles fabricavam chocolates e sobreviviam com os recursos das vendas.”
A partir da visita, as voluntárias arregaçaram as mangas e foram participar de cursos. “Nós fomos aprender a mexer com o chocolate para poder ensinar as adolescentes. Aprendemos a confeccionar bombons e ovos de Páscoa.”
Na primeira Páscoa, foram confeccionados 30 ovos. “Todos foram adquiridos pelos próprios voluntários, estávamos em fase de experimentação. Para comemorar o feito, nós confeccionamos um ovo, o maior desde então, de cinco quilos, com o qual nós presenteamos uma voluntária. Uma pessoa vestida de coelhinho foi fazer a entrega e ela se emocionou. Resolvemos presenteá-la porque ela é uma chocólatra.”
No ano passado, a “fabriquinha”, como era denominada no começo, utilizou 5.300 quilos de chocolate na confecção de ovos, bombons e barras de recheio. “A meta para esse ano é 5.500 quilos, por isso estamos ampliando a área de atuação.”
Os ovos mais vendidos são os de 400 e 500 gramas, seguidos dos confeccionados em formato de coelho. As variações são muitas em tamanhos, pesos e formas. Há chocolate do jeito que o consumidor quer e pelo preço que ele precisa, com uma dose de caridade embutida.
Crescimento
As vendas dos chocolates do Frei Chico, “um amor de chocolate”, como diz o slogan, cresceram e criaram raízes em 14 anos de atuação graças ao esforço das voluntárias que não poupam tempo, explica a vice-presidente. “Nós aceitamos as encomendas desde janeiro. As empresas da cidade compram os nossos ovos de Páscoa, porque sabem que, além de serem bem-feitos, há uma trabalho filantrópico por trás.”
Ângela Sato ressalta que os ovos confeccionados na entidade não levam mistura. “Trabalhamos com chocolate puro da melhor qualidade.”
O crescimento nas vendas desencadeou outras necessidades para a entidade. “Tivemos que construir outra sala com ar condicionado para armazenar os ovos e montar uma decoração para chamar a atenção dos consumidores. É a nossa doceria.”
O chocolate do Frei Chico já está atravessando “fronteiras”. “Comercializamos os ovos e bombons em Santa Cruz do Rio Pardo, Ourinhos, Ipaussu, Avaré, Timburi e Bauru. As pessoas encomendam e buscam aqui.”
O preço dos ovos varia de acordo com a quantidade. “Acima de 10 quilos fazemos um preço especial. O chocolate branco é o mais caro, um ovo de 500 gramas custa R$ 18,00, enquanto o de chocolate escuro sai por R$ 17,00.”
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Acessórios
Páscoa é sinônimo de renascimento, tanto para a população em geral quanto para as voluntárias do Centro Social São José. “Esses recursos fazem a entidade funcionar. Durante o ano, confeccionamos bombons para festas sob encomenda. Para acompanhar os chocolates estamos trabalhando com acessórios.”
Os acessórios também são confeccionados pelos próprios adolescentes que freqüentam a instituição. São cestinhas de vários tipos e tamanhos, carrinhos, cadeira de balanço em madeira e coelhos de pelúcia. Para as datas especiais, fora a Páscoa, há opção de palhaços e bonecas.
Os laços de fitas e as embalagens também são alvos de aperfeiçoamento por parte das voluntárias e adolescentes. “Desenvolvemos vários tipos de embalagens com papéis diferentes para tornar o presente atrativo.”