Conhecidas popularmente como pintas e verrugas, as manchas e elevações que aparecem na pele podem representar uma infinidade de alterações diversas. Saber diferenciá-las ajuda não só a impedir que se multipliquem, como também pode contribuir muito para a prevenção de doenças mais graves, como o câncer de pele - o tipo mais freqüente de neoplasia no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Especialistas explicam que grande parte das alterações de pele tem características benignas. Elas podem ser controladas, atenuadas ou mesmo eliminadas com tratamentos simples, que vão do uso de cremes às microcirurgias.
De acordo com o dermatologista Cláudio Tonello, os exemplos mais comuns de alterações benignas são as sardas e as manchas senis. Ambas são causadas pela exposição solar. São mais comuns em pessoas de pele clara e aparecem nas regiões do corpo que recebem maior quantidade de radiação, como rosto (especialmente o nariz), decote, ombros, mãos, braços e costas.
“Uma característica importante é que elas são lisas, você não sente ao tocar. São apenas problemas estéticos e não evoluem para câncer. Diferente das ceratoses, que são muito parecidas com as sardas, mas que podem levar a um câncer”, destaca.
Segundo ele, as principais diferenças entre sardas e ceratoses é que estas últimas podem ser sentidas e têm bordas avermelhadas. “São como uma casquinha na pele, que se desprendem e sangram quando a pessoa coça. Também são comuns em áreas expostas ao sol”, comenta. As vítimas mais comuns são surfistas, lavradores e outros profissionais que passam muito tempo sob o sol.
O que não quer dizer que toda mancha avermelhada seja ceratose. Bolinhas vermelhas podem ser hemangiomas, como explica o dermatologista Wagner José Monteiro Cardoso. “O hemangioma tem origem vascular (vasos sangüíneos) - não é causado pelo sol. Pode desaparecer sozinho ou permanecer ali por toda a vida, mas é benigno”, informa.
Pintas
Aquilo que a maioria das pessoa conhece como “pinta” é o que os médicos chamam de nevos (do latim naevus: defeito), que significa uma proliferação inadequada de células da própria pele. Do ponto de vista científico, elas englobam tanto as marcas escuras quanto aquelas que têm a cor da pele. Podem ser lisas ou elevadas. Podem ser de nascença ou aparecer no decorrer da vida.
Segundo os médicos, os nevos elevados - pintas salientes - não oferecem perigo à saúde. Eles explicam que são as pintas lisas (sem relevo) e escuras as que merecem atenção especial. Os chamados nevos melanocíticos podem se transformar em melanoma - o tipo mais agressivo de câncer de pele.
De acordo com Tonello, existem cinco características a se observar num nevo para determinar se há risco de câncer. A primeira é a forma - manchas com desenho irregular são perigosas. A segunda é o tamanho - as maiores que meio centímetro indicam perigo, conforme o médico.
“A terceira é a cor - quanto mais uniforme a cor, menor o risco. A quarta é a localização - áreas que machucam oferecem mais problemas. E a quinta é a manifestação de sintomas. Uma pinta que de repente começa a sangrar, incomodar, crescer, mudar de cor, precisa ser avaliada por um médico”, defende.
Na opinião de Cardoso, pessoas que têm a pele muito clara, ou que têm muitas pintas espalhadas pelo corpo, ou que se expõem ao sol com freqüência ou que têm casos de câncer em família devem fazer uma avaliação dermatológica pelo menos uma vez por ano ou sempre que desconfiarem de uma mancha.
Ele mostra a foto (acima à esquerda) de uma jovem que tinha duas pintas praticamente iguais nas costas. “Uma era um nevo benigno, a outra era um melanoma e só uma visão aproximada permitiu que se identificasse isso”, comenta.