Ela foi muito usada na moda dos anos 20 e 60, mas as peças em pérola destas décadas não passavam dos tradicionais colares com uma conta seguida da outra. Qual mulher não tem pelo menos uma gargantilha perolada no fundo de um porta-jóias? Raríssimas.
Agora, as pérolas voltam aos colos, punhos, orelhas e dedos com muito metal em formas assimétricas e em composições inusitadas mesclando pedras e cristais.
“Essa coleção traz peças de forte presença, mas que mantêm a leveza e sutileza femininas, evocando o ar clássico das pérolas através de um design moderno. Pedras brasileiras e cristais com aros finos de metal e aço cirúrgico, material anti-alérgico, se misturam para ressaltar contornos e brilhos”, aponta a designer e empresária de moda Heloísa Key Mabuchi, que assina as coleções para as grifes Ayra e Alcaçuz.
Procurando ressaltar a feminilidade e a praticidade através de peças com estilo prático e casual, a designer aponta sua preocupação em agradar uma mulher de visual mais clássico, mas também as adolescentes.
“Nós mantivemos a nostalgia de anos 20 e 60, mas que cabe numa mulher mais moderna. O que a gente sente é que as pérolas ainda causam um certo preconceito numa mulher um pouco mais jovem. Dessa forma, aliamos muito metal para quebrar essa barreira”.
A designer aponta que a mistura de materiais facilita o uso das peças com jeans no dia-a-dia e não apenas com tecidos finos de noite.
Para a estação, o hit são colares longos, às vezes, com várias voltas, para se usar com terninhos ou tricôs, que estão de volta. Tudo muito moderno. Nada que lembre um baile de debutantes ou festa de casamento.
Exportação
Coleiras em crochê de pedraria, tops bordados com cristais, cintos e bolsas com pout-porri de peças de metal aplicados são a marca registrada da designer goiana Raquel Pires.
Ela é jovem, bonita e antenada. Formada em jornalismo, chegou a trabalhar como repórter de televisão, mas foi no mundo fashion que Raquel Pires se realizou. Há apenas 10 anos no mercado, essa goiana já ganhou o mundo. Atualmente tem seis lojas em Goiás (cinco em Goiânia), uma em Brasília e, exporta para oito países entre eles Espanha, Estados Unidos e Oriente Médio. Suas peças criadas com muita pedraria e criatividade combinam bom gosto e qualidade com um toque étnico. Gente famosa, esposas de ministros e grandes empresárias já adotaram o estilo despojado de Raquel.
A releitura dos tradicionais dreads jamaicanos é um dos diferenciais da designer. De couro, pedras, brancos ou coloridos, prateados ou dourados, os dreads de Raquel são de fácil aplicação nos cabelos e dão grande efeito ao visual. Até mesmo o mais clássico look fica realçado com as peças.
Em sua coleção outono-inverno 2004, a designer desenvolveu um mix de estilos entre os anos 20 e 80, utilizando cores como preto, branco, vermelho, amarelo e rosa. A correntaria, as pérolas em diferentes cores e tamanhos, uma linha romântica e outra mais rústica utilizando madeira estão entre as novidades.
Ecojóias
Já o designer Marco Antonio Olyntho, da grife Braziliana, traz para a coleção outono-inverno 2004 colares, brincos e pulseiras confeccionadas em madrepérola, madeira e chifre de boi.
“O interessante é que mesmo com matéria-prima natural, fomos capazes de utilizar as cores como o branco off-white (branco “sujo”) e o preto que são a tendência da moda européia”, comenta.
Inspirada no artesanato indígena e no espírito do povo brasileiro, a grife mistura também elementos como as fibras vegetais, pedras brasileiras e sementes de árvores nativas, com matéria-prima vinda basicamente da Amazônia. Sementes do açaí, de tucum e jarina transformam-se em modernos adereços sem oferecer danos à flora brasileira.
Não foi só o conceito ecológico que fez o sucesso da marca. Olyntho exporta suas ecojóias e biojóias para a Itália, Chile, Espanha e Suíça desde janeiro de 2003. Ele tem um projeto social que reverte parte dos rendimentos com a comercialização de produtos genuinamente brasileiros no trabalho de comunidades que têm neste ofício sua fonte de sustento e na manutenção das florestas.