O promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, disse ontem que o empresário João Raiz confirmou, em depoimento, o conteúdo da gravação que traz conversa com o vereador João Parreira (PSDB) sobre a suposta existência de esquema de propina na administração municipal. Raiz sublocou serviços de máquinas à prefeitura no ano passado, sendo parceiro na execução de contrato firmando entre a administração e Antonio Roberto Palharim.
A Promotoria está ouvindo as pessoas mencionadas pelo vereador na denúncia de que existiria um intermediário exigindo o pagamento de propina (pedágio) para a liberação dos créditos junto a fornecedores. “O João Raiz confirmou aquilo que está na gravação entregue pelo vereador, de que obteve informação sobre a exigência de 20% para a liberação de valores junto à prefeitura”, cita Masseli.
O promotor menciona que Raiz afirmou que ficou bravo com a informação de que esta era a condição para o recebimento por serviços prestados ao governo. “Ele disse que a informação chegou através de seu parceiro de serviços, o Antonio Palharim, mas afirmou que não aceitou. Então, ele entrou em contato com o vereador Parreira e pediu para que este investigasse”, amplia Masseli.
O conteúdo do depoimento de Raiz confirma o que está na gravação divulgada pelo parlamentar. Na avaliação do promotor, esta e outras informações colhidas em depoimentos levam à necessidade de ampliação nas investigações. “Precisamos fechar o cerco para chegar aos demais dados apontados. Vou me reunir com o promotor criminal para traçar as estratégias de investigação”, continua.
O representante da Promotoria também ouviu ontem o empresário Antonio Vitorino dos Santos, que a exemplo de Raiz, também participou como sublocador na prestação de serviços ao município. “O Vitorino disse que alugou um caminhão paras um serviço de terraplanagem para o Palharim, mas que não manteve contato com a prefeitura”, sintetiza o membro do Ministério Público (MP).
Fernando Masseli já havia tomado o depoimento de Antonio Roberto Palharim na semana passada. Este desmentiu o conteúdo da gravação mantida com o vereador Parreira. Na conversa, Palharim diz que foi procurado por um intermediário e que pagou propina para receber seu crédito. No depoimento, porém, ele disse que as afirmações foram somente bravatas.
Além de Fernando Masseli, o caso está sendo apurado pelo promotor criminal João Henrique Ferreira. O promotor requisitou inquérito policial que está sendo realizado pela Delegacia Seccional de Polícia.
A Promotoria vai ouvir outros depoimentos nos próximos dias.