Bairros

Estudo indica integração a R$ 1,80

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) está concluindo os estudos que irão indicar o valor da tarifa a ser paga pelos usuários que utilizarem o passe-integração, previsto para entrar em funcionamento até o final de maio. O preço deve ser ser estipulado em R$ 1,80.

Segundo a assessoria de imprensa da Emdurb, esse valor seria pago apenas pelos passageiros que optarem por trocar de ônibus durante um intervalo máximo de tempo. Os demais continuarão desembolsando R$ 1,45.

A Emdurb espera definir a tarifa até o final desta semana, mas também de acordo com a assessoria de imprensa da empresa municipal, as projeções apontam que o passe-integração deve custar 25% a mais que a passagem comum.

Embora o estudo ainda não tenha sido oficialmente concluído e o valor ainda precise do aval do prefeito Nilson Costa (PTB), a possibilidade do passe-integração ser comercializado a R$ 1,80 já provoca protestos.

O líder comunitário Claudinei Teixeira, que desde 1996 luta pela implantação da tarifa integrada em Bauru e chegou a coletar 9 mil assinaturas favoráveis à adoção do sistema, é radicalmente contra à proposta da Emdurb.

Ele defende um valor único para as tarifas, independente do usuário utilizar uma ou duas linhas de ônibus. “O que eles querem não é passe-integração”, critica.

Teixeira revela que irá acionar a Justiça para tentar impedir a adoção do modelo idealizado pela Emdurb. “Se eles não mudarem de idéia, iremos entrar com um pedido de liminar para barrar esses 25%”, ameaça.

Ele conta que pretende criar um movimento popular de grandes dimensões para forçar a Emdurb a rever a proposta. “Já estamos contactando associações de moradores e esperamos ter o mesmo apoio que recebemos quando iniciamos a luta pelo passe-integração”, declara.

Entre os usuários, as opiniões se dividem. A estudante Maria Angélica dos Santos é contra as tarifas diferenciadas. “Elas irão prejudicar quem mora longe, porque essas pessoas pagarão mais caro”, argumenta.

Já a estudante Faedra Naita apóia a proposta da Emdurb. “Eu utilizo dois ônibus e, mesmo pagando um pouco mais caro que a tarifa normal, vou economizar em relação ao que eu gasto hoje”, comenta.

Segundo a empresa municipal, o sistema que será implantado em Bauru já funciona em outras cidades, como Ribeirão Preto, onde a tarifa comum custa R$ 1,60 e o passe-integração R$ 1,90, e Rio Claro, onde os valores são, respectivamente, R$ 1,60 e R$ 1,80.

Linhas

Outra preocupação do líder comunitário é a extinção de linhas que ligam bairros da cidade sem passarem pelo Centro. “Isso prejudicaria os trabalhadores que utilizam esses ônibus, porque eles deixariam de pagar uma única tarifa e teriam que arcar com essa taxa de 25%”, diz.

Essa possibilidade, no entanto, é descartada pela assessoria de imprensa da Emdurb, que garante que nenhuma linha atualmente em operação será cancelada. O argumento é que as mudanças de trajeto já foram feitas em abril do ano passado, quando foi promovida a remodelagem do sistema, com a retirada de 26 ônibus.

A Emdurb afirma, ainda, que não há nenhum estudo em andamento para aumentar o preço da tarifa básica de R$ 1,45 e que ela não sofrerá reajuste em razão do passe-integração.

A reportagem procurou o presidente do Conselho Municipal de Usuários, Rubens Rodrigues de Souza, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto.

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Cartão de créditos

O sistema de passe-integração que está sendo implantando em Bauru prevê a bilhetagem eletrônica. Os passageiros receberão cartões recarregáveis e, a cada viagem, terão créditos descontados.

O modelo permite que um usuário utilize duas linhas de ônibus sem a necessidade de pagar duas passagens. Ele teria descontado do cartão apenas o valor do passe-integração. Para isso, no entanto, ele precisará respeitar um intervalo máximo de tempo, ainda a ser definido, entre a troca de veículos.

As empresas que operam o sistema de transporte coletivo em Bauru estão concluindo a instalação das catracas eltrônicas nos 234 ônibus que circulam pelo município. Elas permanecerão, porém, desligadas até o ínicio da fase de testes.

A implantação do passe-integração foi definida em 2002, após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público, Emdurb e empresas de ônibus. A previsão é que a instalação do sistema consuma R$ 6 milhões.

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