Cultura

Costurando com arte

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

No lugar de tintas e pincéis, tecidos coloridos. Essa é a matéria-prima do patchwork, a arte de costurar pedaços de tecidos de diferentes tipos em um mesmo trabalho formando desenhos criativos.

Considerada uma das mais antigas formas de expressão cultural, a técnica baseia-se em produzir uma série de unidades geométricas separadamente para depois costurá-las em um grande acolchoado. O resultado, extremamente visual, é o tema de uma mostra que será inaugurada hoje, às 21h, no Templo Bar.

Idealizada pela artista Magali Rufino, a exposição apresenta trabalhos de sua autoria e também peças produzidas por Cristina Meleiro, Sandra Rudini e Glaucia Lanzellotti.

São 18 trabalhos feitos em algodão e que utilizam peças confeccionadas em matelassê misturadas a apliques costurados sobre o papel. A única exceção é uma obra produzida por Magali, que por retratar a imponência de um pavão precisou utilizar materiais nobres, como brocados e seda.

Outros destaques são os trabalhos “Sampler”, também de Magali e que mostra efeitos feitos com elementos simétricos, além de “Paisagem na Demétria”, de Glaucia, - que ressalta a vegetação em recortes geométricos. A natureza é o principal foco da exposição, explica Glaucia, professora de patchwork há dez anos. “Pintamos plantas, flores, pássaros e estrelas”, ressalta. O intuito é destacar a beleza tropical brasileira, rica em detalhes e cores.

Para isso, nada melhor do que abusar das diversas tonalidades de tecidos, conta a artista. “As obras são multi coloridas, já que o Brasil tem um excesso de luzes e assim podemos intensificar ainda mais as cores dos tecidos”, aponta Glaucia.

Fruto de um trabalho desenvolvido há quase cinco anos no ateliê de Magali - que teve Glaucia como instrutora -, a mostra reúne as principais peças produzidas pelas artistas e visa destacar a importância de divulgar o patchwork.

Arte milenar

Criada inicialmente por mulheres que viviam em antigas civilizações, a técnica de costurar retalhos de tecidos servia como uma forma das pessoas se protegerem dos invernos rigorosos, uma vez que na época a indústria e o comércio não era tão desenvolvidos como nos dias de hoje.

“Era comum também se utilizar o patchwork para se fazer os enxovais das noivas”, observa Glaucia. Com o passar do tempo, além do uso doméstico, a técnica passou a ser vista como uma forma de arte. Segundo a professora, não existem registros históricos sobre o local de origem do patchwork, mas o Museu do Cairo, no Egito, guarda uma das primeiras peças, datada de 600 anos A.C.

Foi nos Estados Unidos que o patchwork ganhou fama. “Essa técnica existe em todos os países do mundo, mas os americanos foram um dos poucos que a preservou durante a Guerra da Secessão”, explica Glaucia. No Brasil, ela se difundiu inicialmente em Minas Gerais.

“Com o advento da corrida do ouro, em Tiradentes, vieram muitas famílias européias que passaram a utilizar essa técnica no nosso País. Como na época não existiam opções de tecidos, houve o reaproveitamento de materiais, que estimularam o surgimento de um patchwork rural”, detalha Glaucia.

Com o passar dos anos, a técnica se desenvolver e passou a fazer parte da cultura brasileira. Atualmente, as artistas encontram à sua disposição diferentes tipos de fibras naturais, lãs, sedas e outros tecidos que servem como fonte para experimentar técnicas de expressão da arte.

• Serviço

Exposição de trabalhos em patchwork pode ser apreciada de hoje até dia 14, no Templo Bar. Rua Benjamin Constant, 1-34. Informações: (14) 3223-3493.

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